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      Site português rebate brasileiro que criticou a cena hip hop de Lisboa

      19 de setembro de 2017 15:46 Por Damy Coelho

      Jornalista português rebate crítica de brasileiro (Reprodução/Blitz)

      Um crítico musical da Folha de São Paulo fez um texto nada positivo sobre o show dos grupos portugueses de hip hop, Hmb, Virgul e Carlão no Rock In Rio.

      O texto afirmava que o show “teve mais vontade que talento” e que soava “datado” . Ao concluir a opinião, o jornalista fez uma afirmação generalista que acabou atacando toda a cena hip hop do país: “Quem assistiu ao show saiu acreditando que o hip hop português ainda estava no jardim de infância”.

      O Blitz, um dos sites musicais mais influentes em Portugal, deu uma resposta à crítica publicada na Folha. O jornalista Rui Miguel afirmou que o crítico da Folha se equivocou ao formar uma opinião sobre toda uma cultura a partir de um único show. “Mais ainda, o jornalista cai no erro de tentar medir o pulso de todo um gênero musical praticado num país específico a partir dos nomes importados para o cartaz de um festival de caráter assumidamente comercial”.

      A crítica ao jornalista brasileiro continua: “O irônico é que Thales de Menezes tece as suas conclusões num momento em que, nem de propósito, o hip hop português atravessa uma fase de evidente fulgor criativo, com muitas propostas musicais a conquistarem espaço nas rádios, nos cartazes de festivais de diferentes dimensões, nas páginas da imprensa”.

      O texto finaliza criticando a recepção brasileira da música de Portugal, que é incoerente com o modo receptivo como os portugueses lidam com a nossa cultura. Esse fato, infelizmente, não deixa de ser uma verdade.

      “Há outro dado interessante que se pode adivinhar nas entrelinhas do texto d’A Folha de São Paulo: o desejável intercâmbio musical entre dois países que partilham uma mesma língua ainda está por realizar. O hip hop seria até, talvez mais do que o fado, uma boa oportunidade para o fazer porque é uma linguagem musical praticada de ambos os lados do Atlântico, com códigos universais que todos entendem. Mas a curiosidade que a imprensa portuguesa sempre soube mostrar em relação à produção musical brasileira, não necessitando de embaixadas enviadas a festivais ou de edições discográficas locais, nunca encontrou real equivalência do lado de lá. Sabemos que o Brasil é uma potência mundial em termos musicais, conhecemos as lendas – de Tim Maia e Jorge Ben Jor a Gal Costa ou Marcus Valle –, ouvimos os discos, procuramos descobrir os novos talentos – de Rincon Sapiência a Don L, de Djonga aos bem mais conhecidos Emicida ou Criolo – mas a mesma vontade parece não animar quem do lado de lá do Atlântico tem missão equivalente. Há uma em comum, mas parece que ainda não é suficiente…”

      E você, o que achou da resposta do site português?