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      Mulheres ganham menos até na música, aponta pesquisa da UBC

      6 de março de 2018 11:18 Por Gustavo Morais

      Apesar da popularidade, divas da música nacional arrecadam pouco com direitos autorais (Foto/Reprodução)

      Além do talento, o que mais Marília MendonçaMaiara e Maraisa, Simone e Simaria e Anitta têm em comum? Todas possuem uma agenda lotada de shows e são donas de alguns dos maiores hits dos últimos tempos.

      Apesar do volume de trabalho e das músicas marcando presença nas paradas de sucesso, as cantoras brasileiras não arrecadam muito com direitos autorais. Segundo o relatório “Por elas que fazem a música”, publicado pela União Brasileira de Compositores (UBC), no que diz respeito à arrecadação de direitos autorais por execução pública de músicas, no ano de 2017, as mulheres lucraram 28% a menos do que os homens.

      Há discrepância entre os percentuais de arrecadação (Reprodução/Site Oficial)

      Para elaborar o relatório, a UBC considerou informações de sua base de associados. Dos 25 mil cadastrados, apenas 14% são mulheres. Entre elas estão cantoras campeãs de execuções nos últimos anos. Segundo o levantamento, dos cem maiores arrecadadores, apenas dez são do sexo feminino. Veja abaixo o infográfico que mapeia e compara as arrecadações.

      Infográfico da UBC esclarece a questão da arrecadação por direitos autorais (Reprodução/Site Oficial)

      Segundo a cantora Marisa Monte, a predominância masculina no mercado fonográfico é uma dos indicativos de que a representatividade feminina está abaixo do ideal nos mais variados campos de trabalho.

      Não só os músicos e os técnicos, mas a maioria da mão de obra para música é masculina. Isso reflete um pouco uma realidade feminina como um todo no Brasil. Em um país em que, apesar de sermos 52% da população, as mulheres no Congresso são 10%, a representatividade da mulher como um todo na sociedade está mal. Não acho que deveríamos ter mais mulheres do que homens na música, mas, no mínimo, a mesma proporção

      Apesar dos pesares, a pesquisa indica que a representatividade das mulheres na UBC está em ascensão. De 2015 a 2017, houve um aumento de 53% no número de inscrições de artistas femininas na instituição.

      Quem reforça a pesquisa da UBC é o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD). Em seu ranking de arrecadação anual mais recente, publicado em 2016, o ECAD mostra a pouca presença de compositoras femininas nos tops 15. Nas três listas principais, as mulheres aparecem apenas cinco vezes, com destaque para Marília Mendonça, conforme ilustram as imagens a seguir:

      Marília Mendonça ocupa 12º lugar em ranking que mede rendimentos em “shows” (Reprodução/Site Oficial)

      Marília é única represente feminina no segmento “música ao vivo” (Reprodução/Site Oficial)

      Três mulheres aparecem na lista de compositores que mais arrecadam com “rádio” (Reprodução/Site Oficial)

      Às vésperas de mais um Dia Internacional da Mulher, em pleno século XXI, a desigualdade entre os sexos continua sendo uma infeliz realidade. Fica a reflexão para que os responsáveis pelas regras do jogo revejam em quais aspectos seus conceitos são arcaicos e promovam as devidas equalizações.