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      Conheça a história do primeiro sintetizador musical

      5 de julho de 2018 9:37 Por Gustavo Morais

      Geddy Lee em seu “momento ostentação” (Foto/Internet)

      Engrenagem fundamental para o desenvolvimento da arte de astros do naipe de Rick Wakeman, Geddy Lee, Stevie Wonder, além de ser a pedra angular dos gêneros de música pop e eletrônica, o sintetizador é o ícone mais apropriado para para simbolizar a inovação musical que testemunhamos a partir segunda metade do século 20. O que pouco se comenta, entretanto, é que o inventor do aparelho foi o russo Evguêni Murzin, coronel do Exército Vermelho – a potência militar da extinta União Soviética.

      Evguêni Murzin, o pai do sintetizador (Foto/Internet)

      Fã de música, ele ansiava por misturá-la à tecnologia. Em 1938 [isso mesmo, amigo leitor, há 77 anos], quando ainda era estudante, Murzin teve a ousada ideia de criar uma máquina que pudesse produzir qualquer tipo de som, timbre e intervalo que um compositor quisesse.

      Para materializar a sua invenção, Murzin usou como referência o método de gravação de som foto-ótico, usado em cinematógrafos. Além de possibilitar a obtenção de uma imagem visível de uma onda sonora, a tecnologia também foi capaz de sintetizar um som a partir de uma onda sonora gerada artificialmente.

      Por causa da guerra [sempre ela, né?], a ideia ficou engavetada por quase 20 anos. Batizado em homenagem ao inovador compositor russo Alexander Nikolaevich Scriabin, o primeiro modelo de sintetizador musical foi oficialmente apresentado no ano de 1958, e foi exibido em Londres e Paris. O aparelho/instrumento ficou popularmente conhecido como ANS, as inicias do nome do compositor.

      Instrumento foi batizado com as iniciais do renomado compositor Alexander Nikolaevich Scriabin (Foto/Internet)

      Capaz de criar qualquer som de 720 faixas de áudio, o instrumento abriu um leque de opções para a comunidade musical de Moscou exercer sua criatividade. Ao contrário da proposta dos sintetizadores modernos, no entanto, o ANS não foi projetado para performances. A intenção de Murzin era apenas ter uma máquina para criar sons. O equipamento não dispunha de teclas, e em seu vidro havia uma linha pela qual um raio de luz passava para as fotocélulas.

      Naqueles tempos da “Guerra Fria”, a invenção se encaixou como luva. Nas constantes buscas pela exploração espacial, o aparelho podia criar “música espacial”. Em 1967, liderado por Evguêni Murzin, o “Estúdio Experimental de Música Eletrônica” foi inaugurado no “Museu Scriabin”, em Moscou. Naquela época, Murzin já não era mais um oficial militar. Após a morte “de seu pai”, em 1970, o ANS foi usado para treinar pessoas para falar e aprender a linguagem dos golfinhos. Na sequência, o instrumento foi levado para a Universidade Estadual de Moscou, onde permanece até hoje.

      Outras curiosidades sobre o primeiro sintetizador musical da história:

      • Enquanto ficou instalado no “Museu Scriabin”, em Moscou, o instrumento foi a principal atração do local.
      • O ANS estrelou muitos filmes soviéticos, depois que Murzin criou um laboratório especial para trabalhar com o aparelho.
      • Os compositores soviéticos Eduard Artemiev e Stanislav Kreichi usaram o ANS para escrever trilhas sonoras dos filmes “Diamond Arm”, “Solaris” e “O Espelho”.
      • Em 1969, o compositor soviético alemão Alfred Schnittke compôs a peça “Electronic Stream” no ANS. Segundo Schnittke, “foi uma tentativa de formalizar a acústica”.