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      Ciência explica a relação entre sexo, drogas e rock and roll

      31 de agosto de 2018 11:37 Por Gustavo Morais

      Festival Woodstock simboliza o tripé sexo, drogas e rock and roll (Foto/Internet)

      Entre os vários ícones da cultura pop, poucos são tão emblemáticos quanto a trinca “sexo, drogas e rock and roll”. A mística em torno dessa – muitas vezes letal – combinação de elementos, jamais deixará de povoar o imaginário dos reles mortais.

      A relação entre os componentes do infame tripé nunca foi, de fato, muito bem compreendida. Durante muito tempo, religiosos, curandeiros, hippies, astrólogos e mais uma pá de entendidos tentaram explicar, mas não tiveram muito sucesso. Porém, nesta segunda década do século XXI, a ciência entrou no meio e desembolou a questão.

      A resposta chegou por meio de um estudo recente, que foi publicado por pesquisadores da Universidade Mcgill no Scientific Reports, jornal da NatureConduzida pelo psicólogo cognitivista e neurocientista Daniel Levitin, a pesquisa descobriu que o mesmo sistema neuroquímico mediador de sentimentos de prazer sexual, uso recreativo de drogas e comida é também influente na experiência de prazer musical. “Trocando em miúdos”, o estudo concluiu que as três atividades estão ligadas à mesma região cerebral.

      Metodologia

      O experimento contou com a participação de 17 voluntários. Alguns participantes tomaram um remédio utilizado no tratamento contra dependências, a Naltrexona, utilizada para bloquear as moléculas receptoras ligadas à droga. Por suas vezes, outros participantes ingeriram um placebo.

      Na sequência, todos escutaram sua respectiva música preferida. Observou-se que as músicas consideradas “especiais” não foram identificadas como tal pelos voluntários que tomaram a Naltrexona.

      Mapeamento cerebral definiu os rumos da pesquisa (Foto/Pexels)

      Como os receptores são os mesmos que atuam na percepção das sensações dadas pelo sexo e pela comida, os pesquisadores, graças ao medicamento capaz de bloqueá-las, quiseram saber se as emoções causadas pela música também são mediadas pelo mesmo sistema.

      Esta é a primeira demonstração de que os receptores opioides cerebrais estão diretamente envolvidos no prazer musical. As descobertas, por si mesmas, foram o que esperávamos. Mas as impressões que os participantes compartilharam conosco após o experimento foram fascinantes! Um deles disse: ‘eu sei que esta é minha música favorita, mas ela não parece ser a mesma’. Outro afirmou: ‘soa bonito, mas não me causa qualquer efeito’, pontua Levitin.

      Daniel Levitin estuda as raízes neuroquímicas do prazer há cerca de duas décadas. Em pesquisa anterior, a equipe liderada por Levitin desenvolveu um mapa das áreas do cérebro que se ativam quando escutamos nossa música preferida. No trabalho mais atual, os cientistas individualizaram as moléculas que se ativam no cérebro durante o “prazer musical”.