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      No “Dia da Música”, a arte sofre com a perda de duas vozes icônicas

      1 de outubro de 2018 12:19 Por Gustavo Morais

      A música é uma das engrenagens que promovem a harmonia da tríade “corpo, mente e alma”. Além de ser boa pra saúde, a nossa forma de arte favorita canaliza nossas emoções e faz do mundo um lugar melhor. Por essas e outras, nada mais justo do existir o “Dia da Música”, uma data que celebramos todos os dias.

      Sapoti e Azanavour já estão fazendo falta (Foto/Internet)

      Neste 1º de outubro, o “Dia da Música” chega com certo ar de tristeza e saudade. Tais sentimentos são consequências do destino implacável, que com sua incontestável autoridade faz com que até mesmo os ícones da arte conheçam o ponto final da vida. Em menos de três dias, a música do século XX ficou órfã de dois de seus maiores ícones. No último sábado (29), perdemos a cantora Angela Maria. Nesta segunda-feira (1º), calou-se a voz do cantor francês Charles Aznavour.

      “Sapoti”

      A carioca Angela Maria dedicou 70 de seus 89 anos à carreira artística. Dona de uma das vozes mais poderosas da música brasileira, a artista foi uma das principais protagonistas da “Era do Rádio”, um dos momentos mais emblemáticos da cultura nacional. Em 1954, via concurso popular, tornou-se a “rainha do rádio”, e no mesmo ano estreou no cinema, participando do filme “Rua sem Sol”.

      Em seus 22 discos oficiais, Angela Maria emplacou várias peças no cancioneiro musical do Brasil. “Fósforo Queimado”, “Vida de Bailarina”, “Orgulho”, “Babalú” e “Gente Humilde” estão entre as obras que receberam a inconfundível interpretação da artista.

      O canto arrebatador da “rainha do rádio” arrancou aplausos até mesmo das autoridades oficiais do país. Encantado pela voz de contralto de Angela, Getúlio Vargas lhe deu o apelido de “Sapoti”. “Menina, você tem a voz doce e a cor do sapoti”, teria dito o então presidente.

      Mais campeão do que Zidade, Platini e Mbappe

      O francês Charles Aznavour imortalizou um dos casos mais raros na história da música contemporânea. É um dos poucos artistas franceses a fazer sucesso nos dois lados do Atlântico e suas canções influenciaram de Roberto Carlos a Frank Sinatra. Outra admiradora ilustre de Azanavour foi Édith Piaf, uma das maiores vozes de todos os tempos, que chegou a gravar algumas de suas composições.

      Como sua voz de barítono leve, Aznavour gravou em espanhol, inglês, alemão e italiano. Ao longo de 82 anos de carreira, o artista francês compôs mais de 600 canções e vendeu mais de 100 milhões de discos. Entre seus hits mundiais estão as músicas “La Bohème”, “Que C’est Triste Venise”, “Et pourtant” e a inconfundível “She”.

      Ainda com a carreira bastante ativa, Charles Aznavour encerrou uma temporada de shows no Japão há poucos dias. A bordo da turnê “Triomphale”, ele também iria fazer apresentações ao longo dos meses de novembro e dezembro.

      RIP

      Até o fechamento desta matéria, a causa da morte do francês ainda era desconhecida. Por sua vez, a artista brasileira não resistiu a uma infecção generalizada e a uma parada cardíaca. Ela estava internada havia 34 dias.

      Que Sapoti e Azanavour descansem em paz. Com seus cantos sempre entoados com amor e paixão, ambos artistas foram pontes que conduziram nossos ouvidos a um universo de prazer e de felicidade.