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      Luthier brasileiro desenvolve guitarra ecologicamente correta

      4 de fevereiro de 2019 11:39 Por Gustavo Morais

      Ao redor do mundo, a indústria de instrumentos musicais busca se tornar cada vez mais “verde”. Profissionais e empresas reciclam, reaproveitam e até trocam a matéria-prima usada para fabricar guitarras. Do lado de cá da Linha do Equador, o luthier e músico acreano Lucas Mortari Montysuma viu a oportunidade de unir a paixão, a habilidade e o recurso natural disponível para criar um negócio local sustentável: a “Bravos”, uma guitarra de madeira tropical certificada.

      Lucas Montysuma inova o mercado de guitarras (Foto/Divulgação)

      No estado do Acre, predomina a Floresta Amazônica. Felizmente, as políticas públicas de conservação e exploração sustentável da floresta têm melhorado a qualidade de vida das comunidades tradicionais e fomentado o crescimento de uma nova economia. Foi neste cenário que o luthier encontrou espaço. Lucas não compra madeira. Como matéria-prima para construir a guitarra, o músico utiliza os resíduos que seriam descartados pela Agrocortex, empresa certificada pelo “Forest Stewardship Council  (“Conselho de Manejo Florestal”, em português) [FSC].

      “Por mais que pareça uma ideia rústica para alguns, a guitarra, depois de pronta, nos surpreendeu pela sonoridade e beleza. O nosso produto final tem qualidade e singularidade”, enfatiza Lucas.

      O músico explica que o objetivo da “Bravos” é mostrar que é possível mudar os padrões da indústria de instrumentos. Por isso, o profissional buscou, além de utilizar a matéria-prima certificada, também certificar o próprio produto – a guitarra. “Quando descobri o FSC, percebi que o selo poderia agregar valor aos meus produtos, tanto no mercado nacional quanto internacional”, conta Lucas, que acabou de receber o selo.

      Valorização de Madeira Nativa

      A certificadora responsável foi o “Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola” [Imaflora] e a “SR4 Soluções em Certificação Florestal” foi a consultoria que ajudou na adequação do processo de fabricação. “Apoiamos toda a cadeia da madeira, de forma que iniciativas como essa possam agregar valor ao manejo florestal comunitário e consequentemente, à floresta comunitária em pé”, comenta André Silveira Rosa, idealizador da “SR4″.

      Instrumento valoriza a madeira nativa (Foto/Divulgação)

      Para Aline Tristão, diretora geral do FSC® Brasil, esse tipo de trabalho, que utiliza matéria-prima de baixo impacto ambiental, precisa ser estimulada. “A guitarra ‘Bravos’ valoriza a madeira nativa e mostra que o manejo florestal responsável contribui para o desenvolvimento da região”, acredita.

      Quanto custa?

      O instrumento artesanal demora, em média, duas semanas passa ser construído, pois tudo é feito a mão e não há linha de produção. O nome Bravos é uma homenagem às tribos indígenas que vivem isoladas no Acre.

      Preço mínimo da “Bravos” está na casa dos R$ 3,5 mil (Foto/Divulgação)

      Além de ajudar a proteger a Amazônia, a iniciativa oferece uma opção sustentável para os músicos. Os preços das guitarras começam em R$3.500, dependendo das peças e do acabamento utilizado.