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      5 obras que mostram o lado ativista do Carnaval

      26 de fevereiro de 2019 9:21 Por Gustavo Morais
      Terra Samba, ícone do axé

      Axé bem humorado do Terra Samba mostrou veia ativista do Carnaval (Foto/Divulgação)

      As origens do Carnaval são tão antigas quanto a roda. Mas, como o mundo inteiro sabe, o brasileiro fez da chamada “festa da carne” um costume nacional. Com a evolução natural das coisas, a chamada “festa da carne” foi ganhando contornos, misturas com outras festas e tons das mais variadas partes do Brasil, um país com extensão continental. Uma das faces carnavalescas poucos lembradas, no entanto, diz respeito ao lado ativista.

      Relembre aqui hits que bombaram em “outros Carnavais”

      Por isso, em meio aos confetes, fantasias paetês, serpentinas fantasias e muito brilho, os foliões de plantão podem aproveitar a oportunidade e fazer suas críticas sociais. Para que você conheça/relembre um outro lado do Carnaval, listamos 5 obras que animaram desfiles, bailes e festas de rua, mas que também mostram a pegada ativista no DNA da folia. Reflita, questione e se inspire!

      1. Samba-enredo e atitude

      2018 foi praticamente ontem, né? Em pleno século XXI, a Paraíso do Tuiutí entendeu que ainda há motivos para refletir sobre o período escravocrata brasileiro. A escola teve a data da assinatura da Lei Áurea como fonte inspiração para o samba-enredo “Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta A Escravidão?”. A letra, conforme você confere a seguir questiona as mazelas da sociedade.

      Meu Deus! Meu Deus!/Se eu chorar, não leve a mal/Pela luz do candeeiro/Liberte o cativeiro social

      O samba-enredo e o desfile recheado de analogias rendeu a escola o título de vice-campeã do ano. Confira a impressionante letra, na íntegra, no vídeo abaixo.

      2. Marchinha reflexiva

      As tradicionais Marchinhas de Carnaval geralmente criticam alguma questão do cotidiano. Com a quase esquecida “Marcha do Caracol”, o grupo Quatro Ases & 1 Coringa refletiu sobre a questão imobiliária no Rio de Janeiro da década de 1950. Na letra, o quinteto canta sobre alto preço dos aluguéis, processos de despejo e até remoções em favelas.

      Há quanto tempo não tenho onde morar/Se é chuva apanho chuva/Se é sol apanho sol/Francamente, pra viver nessa agonia

      Confira essa instigante letra, e nem tente evitar as comparações com os dias atuais.

      3. Questionar, refletir e criticar

      A galera do BaianaSystem faz um som que mistura sound system jamaicano com a guitarra baiana, e transita entre samba-reggae, ijexá, ska, MPB, frevo, afrobeat, reggae, cumbia e pagode baiano. Podemos dizer que estamos lidando com um tipo de música ”tupiportoguaranifricano”.

      A pluralidade sonora do grupo emplacou, em 2016, a música “Lucro”, uma canção cujo tema da letra casa perfeitamente bem com o lado ativista do Carnaval. Seguindo a contagiante batida da folia, a faixa detona os lados mais sacanas do sistema.

      Lucro/Máquina de louco/Você pra mim é lucro/Máquina de louco

      4. Axé contestador

      Como o Carnaval também é um lance axezeiro, não podemos nos esquecer do resgate do espírito contestador do axé promovido pelo grupo As Meninas. No final da década de 1990, a banda liderada pela potente voz de Carla Cristina lançou uma música de letra fácil, direta e instigante. Se liga no rolê:

      Analisando essa cadeia hereditária, quero me livrar dessa situação precária/Onde o rico fica cada vez mais rico/E o pobre cada vez mais pobre/E o motivo todo mundo já conhece/É que o de cima sobe e o de baixo desce

      Parece que estamos lidando com uma música que nunca vai envelhecer, não é mesmo?

      5. Questionar, refletir e criticar

      Quem também deu um jeito de usar seu axé em pró do ativismo foi o grupo Terra Samba. Por meio da aparentemente bobinha “Deus é Brasileiro”, a banda liderada pelo simpático Reinaldo trouxe o cotidiano e a garra do típico brasileiro para o glamour dos trios elétricos do Carnaval.

      Entre outras coisas que eu quero saber, por favor me ensina/Como esse povo que sofre/Com fome, que passa mal/Vai batucar na panela vazia/E fazer carnaval

      Dê o play e veja se você se identifica com a letra.

      Já que conversamos um pouco sobre esse lado menos glamouroso, mas igualmente festeiro do Carnaval, acreditamos que você quer saber como vai ser o lado folia em 2019. Será que a galera vai aproveitar para fazer alguma letra ativista? Para descobrir isso, recomendamos que você confira este post sobre os prováveis hits deste Carnaval.