Notificações Amigos pendentes

      Cifra Club News

      5 razões para largar tudo o que está fazendo e ouvir o som do Djonga

      2 de maio de 2019 10:50 Por Gustavo Morais

      Nascido em junho de 1994, Gustavo Pereira Marques é cria da periferia de Belo Horizonte. Nos rolês nas quebradas, ele ganhou o apelido que virou seu nome artístico e o apresentou para todo o Brasil: Djonga. Com um microfone nas mãos e uma imensidão de ideias na mente, ele atua como rapper, compositor e diretor.

      Djonga lança disco Ladrão

      Em novo disco, Djonga reflete sobre suas origens (Foto/Divulgação)

      Com 9 anos de carreira e três discos lançados, o artista desponta como um dos nomes mais influentes do trap/rap atual. Suas rimas são instigantes, agressivas e colam na função do discurso da conscientização. Uma vez que canta sobre temas que são do interesse público, o trabalho desse artista dialoga com qualquer cidadão, independente de suas preferências musicais.

      Neste post, vamos conversar sobre 5 motivos para que você fique ligado na obra de Djonga. Estamos falando de um artista que chegou para unir o que o restante do mundo insiste em separar. Vamo nessa?

      1. Dedo na ferida

      Os três discos de Djonga foram lançados no período de tempo compreendido entre os anos 2017 e 2019. As músicas foram escritas sob atmosfera de um triênio que foi, na mais branda das hipóteses, conturbado.

      Só pra citar alguns acontecimentos tenebrosos, o cidadão brasileiro teve que lidar com o assassinato da vereadora Marielle Franco (março de 2018), com o incêndio no Museu Nacional (em setembro 2018) e com o rompimento de barragem em Brumadinho (em janeiro de 2019). Também não podem ser esquecidos alguns fatos que antecederam o lançamento do álbum de estreia do artista, Heresia (2017), como a crise política que vem dividindo o Brasil desde 2016.

      Desta forma, os trabalhos do rapper mineiro colocam dedos nas feridas que a maioria das obras da música brasileira insiste em ignorar. Djonga tem o dom de entregar ao público uma avalanche de músicas para se dançar com a mente e com o corpo.

      2. Referências precisas

      Inquieto e humilde por natureza, o rapper procura referenciar mestres e buscar inspiração em outras manifestações culturais. Desta forma, Djonga mantém os pés no presente, os olhos no futuro e parte da mente no lado bacana do passado.

      No álbum Heresia, por exemplo, a capa é uma espécie de recriação da capa do lendário disco Clube da Esquina, obra que reuniu músicos brasileiros conhecidos, como Clube da Esquina, liderado pelos cantores e compositores Milton Nascimento e Lô Borges.

      Na capa do disco heresia, Djonga recria a arte do Clube da Esquina

      Aos mestres, com carinho (Divulgação)

      Já no disco mais recente, a faixa Deus e o Diabo na Terra do Sol é uma referência ao trabalho irretocável do cineasta baiano Glauber Rocha. Por sua vez, Mlk 4tr3v1d0 é um interessante mix entre Moleque Atrevido, do sambista Jorge Aragão, com rimas criadas por Djonga.

      3. Ode ao rap raiz

      Djonga defende as cores do “rap sem banda”. Por isso, o som dele é hip hop em seu estado mais puro. Sob a batuta do produtor CoyoteBeats, o rapper foca na criação de batidas e entrega ao público uma enxurrada de rimas ácidas, críticas e arrebatadoras.

      Num momento em que a busca por novos públicos faz com que parte de uma geração de rappers brasileiros concentrem esforços e talentos em sonoridades mais pops e românticas, “o menino que queria ser Deus” mergulha fundo na busca pelo lado raiz do rap. Mas como é um artista sagaz, ele sabe que nostalgia é uma onda que vai e vem no mercado.

      Djonga e Mano Brown, ícones do rap brasileiro

      Admiração mútua marca relação de Djonga com Mano Brown (Divulgação)

      De maneira acertada, Djonga propõe um som que funde o melhor da modernidade com os elementos sonoros que invadiram as festas de rua nos Estados Unidos da década de 1970.

      4. Parça fiel

      Djonga é um cara bem legal, um parça realmente fiel. Sempre se colocando no sapato dos outros, ele costuma fazer uns rolês que facilitam a caminhada de quem precisa dobrar mais uma ou duas esquinas.

      O show de lançamento oficial do disco Ladrão, por exemplo, rolou na principal casa de shows de BH, o Km de Vantagens Hall, que promove espetáculos com ingressos que não cabem em qualquer bolso. Para que os manos menos favorecidos de grana participassem de sua festa, Djonga bancou a apresentação com “cifra$” bem populares: os ingressos custaram R$ 10, com meia entrada a R$ 5. O resultado, conforme visto no vídeo abaixo, foi uma festa maravilhosa e democrática.

      Colocando em pratos limpos, entende-se que o artista curte mostrar as diferenças entre preços e valores.

      Feats. que todo mundo respeita

      Outro lance bacana da carreira de Djonga são os feats.. Ao longo de seus três discos, o artista deu espaço para o protagonismo de talentos alheios.

      Em seu disco de estreia, na faixa O Mundo é Nosso, o artista dividiu o mic e as rimas com BK, força jovem do novo rap brasileira. Já no trabalho seguinte, Djonga fez duetos com Sidoka e Sant, duas feras do trap brasileiro, e com Karol Conka, uma artista que dispensa qualquer apresentação.

      MC Lan e Djonga fundem funk e rap

      Com o MC Lan, rap de Djonga fez conexão com o funk (Divulgação)

      No álbum Ladrão, o artista apresenta parcerias com nomes do funk e do rap, como Filipe Ret, MC Kaio e Doug Now & Chris. Porém o destaque vai para a presença da a banda pop Rosa Neon, nome forte na cena independente mineira, que participou de quatro faixas do disco Ladrão, incluindo o single Hat Trick.

      5. Nunca foi só música

      O talento de Djonga gera uma obra voraz, inteligente e ácida – só pra citar alguns atributos. Porém, tamanha qualidade não é mera obra do acaso. Na real, a música desse artista é emoldurada por uma série de gatilhos que despertam os melhores insights.

      No início de carreira, o então aspirante a rapper ficou de ouvinte em muitos saraus de poesia. Por ali, com seu jeito mineiro de ser, ele teve a manha de antropofagisar experiências, técnicas e referências que mais tarde refletiram positivamente em seu lado criativo. Outro diferencial é o fato de que o artista cursou até o penúltimo semestre de História, ou seja, ele tem base acadêmica e senso crítico para refletir acerca da realidade do Brasil e do mundo.

      Djonga é um caldeirão de referências

      Djonga é um artista visionário (Divulgação)

      Ciente de como a indústria fonográfica é imprevisível, Djonga tem expandido seus negócios para além do palco. Em meados de 2018, ele inaugurou o Sensação Tattoo Shop, estúdio de tatuagem localizado na Região Leste de Belo Horizonte. Como trata-se de um ambiente artístico, o espaço certamente pode ser um celeiro para que o rapper conheça novas e inspiradoras histórias para suas poderosas rimas.

      Djonga é um dos rappers mais expressivos no cenário do hip hop nacional

      Djonga é um ícone do rap nacional (Divulgação)

      Djonga é um cara que faz artes sem fronteiras, ou seja, ele considera justa toda forma de música. Suas letras e sua voz são poderosos antídotos contra o lado podre da sociedade. E além de tudo, ele faz parte do grupo de artistas que dialogam com outros segmentos da música e, ao mesmo tempo, não se rendem aos mandamentos da indústria fonográfica.

      E se você quiser curtir mais artistas que fazem do rap nacional uma potência, se liga na playlist que a galera do site Letras.mus.br preparou! Ah, e não se esqueça de compartilhar o link deste post aí nas suas redes sociais e grupos de WhatsApp. Juntos, nós somos mais fortes na hora de espalhar essa obra que gera impactos, quebra muros e só faz enobrecer a novíssima música brasileira ;)