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      Novo disco de Tiago Iorc impressiona, mas não surpreende

      6 de maio de 2019 11:08 Por Gustavo Morais

      Na madrugada do último domingo (5), o hiato na carreira do músico Tiago Iorc chegou ao fim. Um ano e quatro meses depois de se afastar dos palcos, do público e das redes sociais, Iorc divulgou o álbum visual Reconstrução.

      Sem muito alarde, o artista subiu o disco para as plataformas de streaming. De acordo com O Globo, o retorno do cantor foi uma surpresa até para a sua gravadora, que não teve o menor envolvimento no planejamento do disco. Ainda segundo a publicação, Iorc não deve se pronunciar sobre o novo trabalho, ou seja, o músico continua em seu exílio midiático.

      Tiago Iorc lança músicas novas, mas continua em exílio midiático

      Tiago Iorc está de volta à música, mas mantém exílio midiático (Foto/Instagram)

      A obra é composta por 13 canções inéditas, todas acompanhadas por clipes dirigidos por Rafael Trindade. No final das contas, o material conta a história de um casal, composto pelo próprio cantor e pela modelo maranhense Michele Alves. Apesar de ser um álbum conceitual, as novas canções revisitam os assuntos e estilos que Tiago Iorc tratou nos discos Umbilical (2011), Zezki (2013) e Troco Likes (2015), com ênfase em temas românticos, agora embalados por arranjos menos óbvios e letras mais reflexivas.

      Desconstruir para reconstruir

      Seguindo a receita de toda boa Reconstrução, o álbum começa com uma Desconstrução, canção sobre a dependência digital. Assim como muitos influencers, Tiago Iorc também vem encarando os reflexos da vida conduzida por haters, lovers e demais atores do admirável mundo das redes sociais. Inclusive, antes de sair de cena, em janeiro de 2018, ele postou uma mensagem explicando que precisava de um detox instagrâmico. Mais pós-moderno, impossível!

      E os prazeres da vida mais presencial e menos digital novamente são observados na singela Na Paz Eu Vou. Com pegada acústica,a  faixa fala sobre “sentar”, “conversar” e “fala besteira”, desligar “essa doideira” [que pode ser o smartphone?] e lembrar das coisas mais comuns.

      Já que a questão do recomeço pode estar conectada ao lance por trás do conceito de reconstrução, a música Bilhete veio a calhar. Escrita em parceria com o músico gaúcho Duca Leindecker, essa canção fala sobre como a esperança, a paciência e a resiliência são engrenagens fundamentais para superar os momentos de profunda adversidade.

      Ah, a sofrência

      Relacionamentos são feitos de altos e baixos, bons e maus momentos, além das poucas e boas. Sendo assim, inevitavelmente, Reconstrução tem lá seus momentos de crises amorosas. Se tivesse acordes na escala menor e algumas palavras mais dramáticas, a canção Hoje Lembrei do Teu Amor, por exemplo, caberia no repertório de qualquer uma das estrelas do popnejo.

      Por sua vez, o clima quase folk e frases de efeito fazem de A Vida Nunca Cansa uma espécie de sofrência de boutique. Trata-se de uma canção que troca hedonismos e chifres arrastados no chão por um jeito mais comedido de sofrer. “Veja/O sol nasceu/Num mar de lamentar/ E eu só quero chorar/ E esquecer”, diz o trecho mais intenso da letra.

      Referências respeitáveis

      Com cara de hit, a música Tangerina chega a lembrar um pouco o som de Ed Sheran. Numa mesma canção, Tiago conseguiu colocar um baixo bem marcado, um timbre singular de violão, uma a letra direta e uma batida pop inconfundível como moldura para o refrão.

      A mesma receita é testada em Fuzuê. À sua maneira, Iorc conseguiu alinhar o som ensolarado do Melim com a malícia poética de Caetano Veloso e Zeca Baleiro. Por um mundo com mais músicas que falam de “amor”, mas sem rimar com “dor” ou com “flor”!

      Por fim, mas não menos importante: não que Reconstrução seja “mais do mesmo”, longe disso. Além de tocar em questões pertinentes à era pós-moderna, Tiago Iorc aposta em arranjos fora da zona de conforto de seu tradicional pop good vibes.

      O disco impressiona por ser bem produzido, bem como por ousar nos arranjos. Porém, não surpreende por apresentar letras que circulam entre temas relativamente previsíveis. No fim das contas, Tiago ”jogou pra torcida” e lançou o álbum que todos esperavam. Ponto pra ele.