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      Inovação na música: 5 bandas diferentes que você precisa conhecer!

      20 de agosto de 2019 10:30 Por Gustavo Morais

      Rock clássico, sertanejo raiz, forró pé de serra e vários outros tipos de música que representam a “tradição” sempre terão seus devidos respeitos. Porém, a inovação faz parte do cotidiano artístico e, por isso, não posso deixar de reconhecer seus méritos. Por essas e outras, o texto de hoje lista 5 bandas que promovem inovação na música.

      Violoncelo e bateria de gelo fazem parte da Ice Music

      Orquestra sueca aposta em instrumentos feitos de gelo (Foto/Divulgação)

      Tem orquestra feita de gelo, grupo que cria músicas com lixos eletrônicos e muito mais! Ficou curioso pra saber mais sobre esses trabalhos? Então, fique ligado! Ao longo das próximas linhas, te falarei sobre os seguintes grupos:

      The Vegetable Orchestra
      Between Music
      ArcAttack
      Open Reel Ensemble
      Ice Music

      Inovação na música

      Derivada do termo latino innovatio, a palavra inovação se refere a uma ideia, método ou objeto que é criado e que pouco se parece com padrões anteriores. No caso da inovação musical, o conceito é ainda mais amplo. Na nossa conversa de hoje, entretanto, optei por te aplicar o som de bandas que fazem um som com instrumentos diferentes.

      1. The Vegetable Orchestra

      Num português bem claro, estamos falando da “Orquestra de Vegetais”. Essa ideia 100% inovadora surgiu há 21 anos lá na Áustria, berço Wolfgang Amadeus Mozart, um dos maiores gênios da história da arte.

      The Vegetable Orchestra apresenta sua música feita com vegetais durante concerto

      The Vegetable Orchestra faz música que alimenta (Foto/Facebook)

      Com furadeiras e ferramentas apropriadas, esse grupo de músicos fabrica os instrumentos antes de cada apresentação. Como resultado, o público pode ouvir e saborear sons que vêm, por exemplo, de uma castanhola de beringela (Melanzaniklappe), de um violino de alho-poró (Lauchgeige) e de uma flauta de pepino, pimentão e cenoura (Gurkophon). No final da apresentação, os instrumentos viram uma sopa que é distribuída ao público, ou seja, a The Vegetable Orchestra faz música que alimenta.

      O estilo da banda transita entre jazz, noise, house music, electro e música pop. Composta por 11 músicos, um cozinheiro, um técnico de som e outro de vídeo, a orquestra já gravou três discos e faz bastante shows na Europa e na Ásia.

      2. Between Music

      Fundada por Robert Karlsson, violista e violinista profissional, e pela cantora e compositora Laila Skovmand, o projeto Between Music é um coletivo artístico dinamarquês. Com 11 anos de estrada, o grupo faz espetáculos que misturam artes visuais, performances ao vivo e novas tecnologias.

      Músicos da Between Music apresentam performance debaixo d'água

      Músicos do coletivo Between Music apresentam o espetáculo AquaSonic (Foto/Facebook)

      Uma das produções mais emblemáticas da Between Music é AquaSonic, uma inovadora performance estrelada por uma banda aquática. As engrenagens que dão vida ao espetáculo funcionam debaixo d’águas! Tudo fica submerso em cinco tanques, dispostos lado a lado que, juntos, usam nove mil litros de água e pesam mais de 10 toneladas. Os instrumentos [hidrofones, cristalofones, violinos, arpas magnéticas, percussões e vozes] são adaptados para o ambiente aquático e entregam sonoridades únicas, inimagináveis e densas.

      3. ArcAttack

      Natural de Austin, capital do Texas, o ArcAttack é formado pelos músicos Joe DiPrima, John DiPrima e Andrew Mansberger. Ao trio, se junta Christian Miller [designer de hard e software] e Steve Ward [engenheiro eletrônico]. Na estrada desde 2005, esse time mistura show de rock com conceitos de eletricidade, magnetismo e robótica. Ah, quase me esqueço do venerável King Beat, o simpático e eficiente robô que toca bateria nessa banda eletrizada.

      King Beat, o robô baterista da banda ArcAttack

      King Beat pronto para mais uma performance eletrizante com a banda ArcAttack (Foto/Instagram)

      No palco, os caras usa transformador de alta voltagem que é convertido para voltagens diferentes que, por sua vezes, ficam tão altas que criam relâmpagos artificiais. O resultado, como não poderia ser diferente, são performances interativas e em eletrizantes. Eles também usam armaduras de malha de metal que tornam o próprio corpo um condutor de eletricidade, mas que ao mesmo tempo serve como proteção. Além disso, a guitarra de DiPrima é adaptada com um emaranhado de arames que protege as mãos dele das descargas elétricas enquanto toca.

      No site oficial da ArcAttack, os cientistas-músicos mostram como desenvolvem os instrumentos. Segundo eles, os equipamentos confiáveis e simples de manusear. Porém, eu prefiro não tentar fazer isso em casa [e menos ainda nos estúdios do Cifra Club ;) ]

      4. Open Reel Ensemble

      Lembra da época em que as TVs de tubo, os projetores de luz e as máquinas de rebobinar fitas cassete eram equipamentos eletrônicos comuns nos lares do mundo inteiro? Apesar de um dia terem sido de muita utilidade, no século XXI esses objetos não passam de lixos analógicos. Porém, a banda japonesa Open Reel Ensemble [Conjunto de Bobinas Abertas, em tradução livre], entende que esse material descartável serve de matéria-prima para a criação musical.

      Open Reel Ensemble, banda japonesa faz música com equipamentos eletrônicos obsoletos

      Open Reel Ensemble faz música com equipamentos que iriam para a lata de lixo (Foto/Facebook)

      Liderado pelo programador e compositor Ei Wada, o projeto faz um som com utensílios aparentemente incapazes de produzir melodias. A grande inspiração vem do movimento francês musique concrète [música concreta, em português], — dos anos 1940, conhecido pelas composições eletroacústicas com “instrumentos não-musicais”, como gravadores, fonógrafos e microfones, por exemplo. O resultado? Bem… a banda cria canções que transitam entre dance, música experimental e os sofisticados sons ambiente das requintadas galerias de arte.

      Em conversa com o site Open Culture, Wada explicou que “esses objetos tecnológicos são um símbolo do crescimento econômico do Japão, mas também são descartados em grande quantidade”. Uma das performances mais emblemática da banda é a da música Exhaust Fancillator [Ventilador de Exaustão, em tradução livre]. Para criar essa canção, a turma projetou ventiladores com “cortadores a laser e impressoras 3D”.

      No fim das contas, o trabalho do Open Reel Ensemble é uma lição de como improvisar, inventar, reciclar e promover inovação musical.

      5. Ice Music

      Ao longo de um dia qualquer de trabalho, o escultor de gelo Tim Linhart teve a brilhante ideia de criar instrumentos musicais com a mesma matéria-prima de suas obras. Depois de vários testes, esse artista americano conseguiu desenvolver a Ice Music, uma orquestra de gelo sediada em Luleå, na Suécia.

      Músico da Ice Music toca violão de gelo durante apresentação

      Violão de gelo é bastante usado nos shows da Ice Music (Foto/Site Oficial)

      No acervo de invenções geladas de Tim tem instrumentos de corda, sopro e percussão. Os equipamentos são feitos do gelo formado a partir da mistura de água com neve. As apresentações acontecem numa sala de concerto chamada de The ICEconcerthall, que na real é uma caverna formada por dois grandes iglus ligados pelo interior. A temperatura média da sala, como você pode imaginar, fica em torno dos -12ºC.

      Em conversa com o canal Great Big Story, o artista explicou que a música que vem do gelo “não é apenas música clássica ou música experimental. É uma variedade de coisas diferentes”.