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      Papo de músico: 4 tópicos para você entender a importância do baixo

      17 de outubro de 2019 12:20 Por Gustavo Morais

      Image agrupa Steve Harris, Jaco Pastorius e Arthur Maia, três baixistas influentes

      Steve Harris, Jaco Pastorius e Arthur Maia, três dos baixistas mais influentes da história (Montagem/Internet)

      Antes de começar o nosso papo, preciso comentar que não existe instrumento mais importante do que o outro. Por mais que essa verdade seja incontestável, muita por aí insiste ainda insiste em ignorar o fato de que o baixo é fundamental para a música.

      Sem a força desses graves, as canções teriam menos cadência e seriam menos sedutoras – se é que o amigo leitor me entende!

      Por essas e outras, o post de hoje é dedicado à galera do groove! No final das contas, vou te contar tudo o que você sempre quis saber sobre baixo, mas ninguém nunca te contou.

      Bora lá?

      1. Quando surgiu o contrabaixo?

      O surgimento do contrabaixo remonta no século XV. O instrumento antigo mais famoso é o contrabaixo de três cordas, de Domenico Dragonetti (1763 – 1846), feito pelo luthier Gasparo da Salò (1542 – 1609), cerca de cem anos antes.

      Baixo de três cordas foi popularizado por Domenico Dragonetti, durante o século XV

      Fundação europeia preserva baixo de três cordas popularizado por Domenico Dragonetti (Foto/Internet)

      Naquele período, o instrumento mais comum nos grupos de câmara, no registro contrabaixo (uma oitava abaixo do registro baixo), era o violone, da família da viola da gamba, instrumento um pouco maior que o violoncelo, com seis cordas quase sempre afinadas em arpeggio. A partir do século XVIII, Dragonetti popularizou esse instrumento “híbrido”, entre a família do violino e da viola da gamba, que teve destaque por ter a projeção sonora capaz de impulsionar o desenvolvimento das orquestras no período clássico (séc. XIX).

      O contrabaixo com as características de hoje só aparece no final do século XIX, contando com quatro ou cinco cordas, com afinação: sol, ré, lá e mi ou sol, ré, lá, mi e si (às vezes outra na quinta corda). Até meados do século XX, por volta do começo da década de 1950, os contrabaixistas tinham intensas dificuldades para o transportar o instrumento, que era delicado (por ser feito de madeira) e desajeitado. No ano de 1951, um técnico em eletrônica, de 42 anos, chamado Leo Fender criou o baixo elétrico. Batizado Precision, o instrumento rapidamente ficou conhecido como Fender Bass.

      Montagem de fotos com os músicos Monk Montgomery e Bill Black, pioneiros no uso do baixo elétrico

      Monk Montgomery e Bill Black, pioneiros no uso do baixo elétrico, em algum momento da década de 50 (Montagem/Internet)

      Curiosidade: o primeiro baixista a se apresentar com o Precision foi William “Monk” Montgomery, irmão mais velho do guitarrista virtuose Wes Montgomery, por volta de 1952. Naqueles tempos, o músico fazia parte da banda de jazz de Lionel Hampton. Já Bill Black, baixista da banda de Elvis Presley, adotou o Fender Precision em 1957.

      2. Diferenças entre captação ativa e passiva

      As cordas do baixo possuem seu próprio campo magnético. Quando as cordas magnetizadas são tocadas, elas vibram e provocam uma variação em seu campo magnético. Por indução magnética, essa variação é transformada em corrente elétrica dentro do captador, que envia esse sinal elétrico para o amplificador, que amplifica o som.

      Vários modelos de baixo com captação ativa e passiva

      Mercado oferece vários modelos de baixo elétrico (Foto/Pexels)

      Os captadores consistem em um ou mais eletroímãs. Fisicamente eles são chamados de “transdutores”, que por definição quer dizer, qualquer dispositivo eletrônico ou eletromagnético que converte formas de energia física em energia elétrica.

      A captação passiva utiliza imãs maiores para captar o som e mandar para fora do baixo. Isso resulta em uma sonoridade mais aveludada e natural. O timbre não tem tanto peso e os slaps ficam fracos no baixo passivo.

      Por sua vez, o baixo com captador ativo usa uma ou duas baterias de 9 Volts, para dar mais ganho ao sinal através de um pré-amp (no próprio baixo) antes deste sinal sair do baixo em direção ao amplificador.

      Para entender um pouco mais sobre a questão da captação, confira o recado que o Naldão!

      3. A função do baixo numa banda

      Por mais que seja menos glamouroso do que a guitarra ou a voz, o baixo tem um papel importantíssimo numa banda. Sua função é conduzir a música, sempre impulsionando o entrosamento ideal com os demais instrumentos.

      Em qualquer estilo de música, o principal companheiro do baixo é o bateria. A atuação dessa dupla é tão importante, mas tão importante, que tem até nome próprio, isto é, estou falando da famosa “cozinha”. É ali, nessa cozinha, que a música ganha tempero rítmico, sabor harmônico e produz alimentos melódicos que sustentam a nossa alma.

      Chad Smith e Flea, durante um show do Red Hot Chili Peppers

      A “cozinha” do Red Hot é uma das mais respeitadas do rock (Foto/Internet)

      E já que baixista é o elo entre as partes rítmicas e harmônicas, ou seja, é o músico que faz o “meio campo” entre o baterista e guitarrista, é muito importante ser eclético, saber pensar fora da caixa e jamais deixar de prestar a atenção.

      Analogias à parte, não posso me esquecer de informar que é necessário que este conjunto soe sempre coeso e entrosado. Desta forma, a sintonia entre baixista e baterista precisa estar sempre alinhada. Caso contrário, a banda vai entregar um som incoerente, inseguro e inoperante.

      O baixista de rock precisa ser muito seguro na sua execução rítmica; mesmo estilos como classic rock, hard rock, punk e heavy metal – que são conhecidos pelas suas famosas linhas retas (duas ou quatro notas por tempo, sem pausas). Já estilos como pop, samba, MPB, bossa e country têm como característica a sincronização precisa das linhas de baixo com o bumbo da bateria.

      Baixista e vocalistas de uma típica banda de rock

      O baixista ajuda o vocalista a conduzir os seus trabalhos (Foto/Internet)

      Você sabe como usa o metrônomo? Se ainda não domina essa ferramente, se acostume com ela, pois, esse recurso é fundamental para que o “timing” rítmico fique apurado e possibilite ao baixista desenvolver uma base sonora segura e sólida para o resto da banda.

      4. Variações que diferenciam um baixo do outro

      São vários os fatores que diferenciam um baixo do outro.

      • Número e tipos de cordas: foi planejado para ter 4 cordas. Porém, atualmente, existe baixo de até 12 cordas, alguns com até mais, geralmente são construídos por luthiers. De maneira comercial, o mais comum são baixos de 4, 5 e 6 cordas.
      • Captação: ativa ou passiva
      • Madeira: a matéria-prima utilizada no corpo, no braço e na escala, inevitavelmente, provocam inúmeras diferenças no timbre.

      Geralmente, essas partes causam uma grande diferença em: sonoridade, qualidade do instrumento e preço.

      Baixo de quatro cordas, com captação ativa

      O baixo de quatro cordas é o mais comum no mercado (Foto/Pexels)

      Se você chegou até aqui, certamente conseguiu entender um pouco mais sobre como a mágica funciona. Lembre-se que o conhecimento musical é infinito, isto é, após aprender um fundamento, nunca pare com os estudos! E para impulsionar seu aprendizado, indico três textos que vão fazer você ser um baixista ainda melhor! Se liga no rolê:

      Ah, não posso me esquecer de te pedir um help. Que tal compartilhar o link deste post aí nas suas redes sociais? Juntos, você e eu conseguiremos incentivar o aprendizado musical! Além disso, tenho certeza de que aí na sua lista de amigos, incluindo os do WhatsApp, tem um monte de futuros heróis das quatro cordas ;)