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      Especial Skank: as melhores músicas, os álbuns e a trajetória da banda

      4 de novembro de 2019 12:23 Por Gustavo Morais

      Para contar a história do Skank, nós precisamos voltar até o já distante ano de 1983. Naqueles tempos, Samuel Rosa (voz/guitarra) e Henrique Portugal (teclados) faziam parte de uma banda de reggae chamada Pouso Alto, junto com os irmãos Dinho (bateria) e Alexandre Mourão (baixo).

      Dando um salto para 1991, chegamos ao momento em que o Pouso Alto estava com um show marcado para rolar no Aeroanta, em São Paulo. na ocasião, por motivo de força maior, a banda precisou substituir dois membros: saíram os irmãos Mourão e entraram o baixista Lelo Zaneti e o baterista Haroldo Ferretti.

      Membros do Skank nos anos 90, quando a banda começou

      A partir da esquerda : Henrique, Samuel, Haroldo e Lelo (Foto-Paula Fortuna/Divulgação)

      Na mesma época, o grupo mudou seu nome para Skank, inspirado na música de Bob Marley, Easy Skanking [lembrando que "skunk" é o nome de uma variação da cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha]. E foi nesse cenário que o quarteto estreou nos palcos, no dia 5 de junho de 1991, diante de 37 pessoas. Apesar do fiasco de público, os músicos curtiram tocar juntos e decidiram continuar com a banda.

      Desde então, como você já sabe, muita coisa aconteceu na carreira da banda. Das dificuldadedes que giram em torno do lançamento de um álbum independente, aos palcos dos maiores festivais de música do mundo, o Skank experimentou de tudo. Ao longo de sua prolífica produção musical, a banda soube se inovar, se redescobrir e construiu um DNA sonoro que é ímpar. Como saldo desse trabalho feito com tanto capricho, veio um caminhão de hits e um público cativo fiel e acostumado a esgotar ingressos de shows ao redor do país.

      Enfim, são quase 30 anos de uma história vitoriosa, inspiradora e única no cenário do pop rock nacional. Ao longo das próximas linhas, você vai conferir a discografia e as melhores canções desse gigante da música brasileira popular. Prepare aí os seus fones de ouvido e celebre esse capítulo tão importante da nossa cultura.

      Discografia comentada do Skank

      Ao longo de seus quase 30 anos de estrada, o Skank lançou um total de 15 trabalhos. São 9 discos de estúdio, 5 álbuns ao vivo e 4 coletâneas. Essa produção toda rendeu 36 singles, 6 DVDs e 31 participações em trilhas sonoras.

      Integrantes do Skank, em algum momento dos anos 2000

      Nos anos 2000, a guinada britpop refletiu no som e no visual do Skank (Foto-Paula Fortuna/Divulgação)

      Nesta sessão de discografia comentada, optei por elencar somente os trabalhos registrados em estúdio. Dito isso, informo que você verá uma rápida análise sobre os seguintes discos:

      • Skank
      • Calango
      • O Samba Poconé
      • Siderado
      • Maquinarama
      • Cosmotron
      • Carrossel
      • Estandarte
      • Velocia

      Ah, antes que eu me esqueça, as notas estão na escala que vai de 0 a 10. Bora lá conferir esse “billete”?

      Skank

      O homônimo disco de estreia foi lançado de forma independente. Porém, o sucesso da banda na cena underground despertou o interesse da poderosa Sony Music. Junto ao Skank, a multinacional inaugurou no Brasil o selo Chaos.

      Capa de Skank, o homônimo disco de estreia do Skank

      Skank estreou em grande estilo (Divulgação)

      O álbum apresentava uma sonoridade que unia o dancehall jamaicano com as tradições do pop brasileiro. Entre os destaques deste trabalho estão as faixas In(Dig)Nação, Baixada NewsGentil Loucura e Homem Q Sabia Demais, que foi trilha sonora de uma novela na Globo. Outro ótimo momento é a música Tanto, versão de I Want You, de Bob Dylan

      Ano de lançamento: 1993
      Vendas: 250.00 – disco de ouro
      Nota: 5,5

      Calango

      A famigerada síndrome do segundo disco passou nem longe do quarteto. Lançado um ano depois de seu antecessor, o álbum Calango carimbou o passaporte do Skank rumo ao panteão dos gigantes do pop rock nacional.

      Capa de Calango, segundo disco do Skank

      Calango foi o disco que mostrou que a banda não morreria na praia (Divulgação)

      A sonoridade é mais reggae, muito mais pop e com direito a inspiradíssimos arranjos de metais. Entre os grandes sucessos estão as músicas Jackie Tequila, Esmola, O Beijo e a Reza, Te Ver e Pacato Cidadão. Além destas, ainda se destaca no disco a regravação para É Proibido Fumar, de Roberto Carlos.

      Ano de lançamento: 1994
      Vendas: 1.250.000 – disco de diamante
      Nota: 6,5

      O Samba Poconé

      Apesar de não ter o mesmo tanto de hits quanto seu antecessor, O Samba Poconé colocou o Skank em um patamar ainda mais elevado. Com a força da MTV e de ótimas canções, este terceiro disco definitivamente colocou a banda na boca do povo.

      Capa de O Samba Poconé, terceiro disco do Skank

      O Samba Poconé trouxe novos sons (Divulgação)

      A partir deste álbum, a banda meio que aposentou a pegada reggae e surfou mais nas ondas do pop. Entre outras boas canções, a obra nos deu os mega hits É Uma Partida de Futebol, Garota Nacional e Tão Seu.

      Ano de lançamento: 1996
      Vendas: 2.000.000 – disco de diamante
      Nota: 7

      Siderado

      Produzido pelo galês Paul Ralphes, e gravado nos estúdios Abbey Road, Siderado representa o ápice da transição no som do Skank. Com muito mais guitarras e teclados, e menos instrumentos de sopro, o quarto disco colocou os dois pés da banda no terreno do pop rock [mais pop do que rock, diga-se de passagem].

      Capa de Siderado, quarto disco do Skank

      Siderado é um dos grandes discos do pop nacional (Divulgação)

      Os grandes sucessos do disco foram Mandrake e os Cubanos, Saideira e a inconfundível balada Resposta, parceria com Nando Reis, que viria a ser um dos parceiros fixos nas composições dos discos posteriores.

      Ano de lançamento: 1998
      Vendas: 750.000 – disco de platina triplo
      Nota: 6

      Maquinarama

      O Skank dos anos 2000 trocou a regueira pelas influências de Beatles e Clube da Esquina. Apesar de ter sido bem recebido pela crítica, o quinto álbum da banda vendeu menos do que seus antecessores.

      Capa de Maquinarama, o quinto disco do Skank

      Maquinarama: o começo de uma nova era no som da banda (Divulgação)

      Maquinarama rendeu os hits Três Lados, Balada do Amor Inabalável e Canção Noturna. Curiosamente, cada uma dessas canções mostram diferentes faces da musicalidade proposta pelo quarteto.

      Ano de lançamento: 2000
      Vendas: 400.000 – disco de platina
      Nota: 6,5

      Cosmotron

      Eis o disco que marcou o auge da maturidade artística da banda. Bastante influenciada pelo britpop do Oasis, o Skank mergulhou fundo na fase mais psicodélica dos Beatles e, de quebra, reivindicou o título de herdeiro do Clube da Esquina.

      Capa de Cosmotron, o sexo disco do Skank

      Cosmotron, o álbum que mostrou o lado psicodélico do Skank (Divulgação)

      Tem os sucessos Amores Imperfeitos, Dois Rios, e Vou Deixar. Recheado de guitarras mais densas e envolventes, Cosmotron rompeu barreiras e abriu caminhos para que a banda caminhasse na MPB setentista.

      Ano de lançamento: 2003
      Vendas: 400.000 – disco de ouro
      Nota: 8

      Carrossel

      Apesar de ser um bom disco, Carrossel pagou o pato por suceder Cosmotron. Mesmo sem ousar muito no conceito das composições, este álbum é inventivo a ponto de inserir vários de instrumentos incomuns na obra da banda, tais como banjo, violinos, tímpano, cravo e xilofone.

      Capa de Corrossel, sétimo disco do Skank

      Corrossel foi um disco certo, mas na hora errada (Divulgação)

      Entre erros e acertos, a obra deu ao cancioneiro da música brasileira popular canções do naipe de Uma Canção É pra Isso, Mil Acasos e Seus Passos.

      Ano de lançamento: 2006
      Vendas: 210.000 – disco de ouro
      Nota: 6

      Estandarte

      Neste álbum, a banda decidiu corrigiu o erro de percurso visto e ouvido em Carrossel. A receita foi simples: a busca pelo equilíbrio entre o britpop e o sons mais dançantes, como feito em álbuns como Calango e Samba Poconé.

      Capa de Estandarte, o oitavo disco do Skank

      Estandarte meio que recolocou o som da banda nos eixos (Divulgação)

      O resultado? Simples: Ainda Gosto Dela, Pára-Raio, Sutilmente e Noites de um Verão Qualquer, ou seja, canções que conduziram as paradas de sucesso dos anos 2008, 2009 e 2010.

      Ano de lançamento: 2008
      Vendas: 150.000 – disco de ouro
      Nota: 7

      Velocia

      Sucedendo três projetos revisionistas, Multishow Ao Vivo – Skank no Mineirão (2010), Skank 91 (2012) e Rock in Rio (2012), Velocia poderia ter sido um álbum revolucionário na carreira da banda. Afinal de contas, eles estavam longe dos estúdios havia seis anos. Sendo assim, parte-se do pressuposto de que as ideias estavam fervilhantes.

      Capa de Velocia, o nono disco do Skank

      Apesar de interessante, Velocia não tirou a banda da zona de conforto (Divulgação)

      Acontece, porém, que o disco apresentou poucas inovações e/ou renovações. Na real, este trabalho flerta com as as texturas sonoras das duas reconhecidas fases do grupo: antes e pós Maquinarama. Descansando nas costas de sua inconfundível riqueza pop, esse “mais do mesmo” do Skank rendeu os sucessos Ela Me Deixou e Esquecimento.

      Ano de lançamento: 2014
      Vendas: 20.000 – sem certificação
      Nota: 6

      As melhores músicas do Skank

      Ao longo das últimas três décadas, esses mineiros maneiros emplacaram incontáveis hits nas paradas de sucesso e no coração dos fãs. Se ao longo desse tempo todo você não esteve realinhando “as órbitas de outros planetas”, certamente, alguma música do Skank certamente a algum momento de sua vida.

      Por essas e outras, chegou a hora de revisarmos as melhores músicas do Skank. Desde já, peço desculpas se a sua canção favorita deles não constar nesse Top 10.

      1. Sutilmente

      Registrada no disco Estandarte (2008), eis a canção da banda que alcançou um melhor resultado no Top 100 Brasil, a parada de sucesso da Billboard. Com um honroso 9º lugar, em 2009, Sutilmente foi a música de pop rock mais tocada nas rádios brasileiras daquele ano.

      2. Dois Rios

      Destaque do excelente disco Cosmotron (2006), Dois Rios representa a guinada psicodélica do som da banda. Cheia de versos “viajandões”, além de um arranjo calcado no experimentalismo, esta canção mostrou que o pop rock nacional também pode ser de vanguarda. Guardadas as devidas proporções, trata-se de uma música que caberia em algum disco d’Os Mutantes.

      3. In(dig)nação

      Lembra ou já ouviu falar da época em que o pop rock nacional fazia músicas de protesto e conscientização? Pois é, até mesmo o Skank achou um jeito de encaixar uma canção desse naipe no meio de seu repertório festeiro. Impossível não lembrar do Rock in Rio 2017, quando In(dig)nação ajudou Samuel Rosa a conduzir um protesto contra a corrupção do então governo Temer.

      4. É Uma partida de Futebol

      Formada por dois cruzeirenses e dois atleticanos, o Skank tem no futebol um dos elementos de seu DNA. Em 1996, com a faixa É Uma Partida de Futebol, eles transformam esse sentimento em música. De quebra, deram uma cutucada na crônica esportiva do todo poderoso eixo Rio-São Paulo, pois, o clipe foi gravado no Mineirão, em Belo Horizonte, durante um clássico entre Cruzeiro x Atlético-MG. Nada de Flamengo ou de Corinthians na programação da MTV! Quem mandou lá foi a dupla Raposa e Galo!

      5. Vamos Fugir

      Originalmente lançada por Gilberto Gil, em 1984, no disco Raça Humana, Vamos Fugir meio que se tornou uma música do Skank. Um caso parecido, a gente viu com Primeiros Erros, do Kiko Zambianchi, que hoje em dia é um hino do Capital Inicial. Voltando à banda mineira… É inegável que esta música fez um bem danado! Além de manter o pop rock vivo nas paradas de sucesso, a faixa ajudou o grupo a conquistar uma nova geração de fãs.

      6. Acima do Sol

      Carro chefe do disco MTV ao vivo – Skank (2001), Acima do Sol é mais uma daquelas pérolas reflexivas que a banda sempre fez tão bem. A letra parece ser de uma canção de amor, mas é uma espécie de conselho pra quem não se atenta para as oportunidades que a vida dá e, consequentemente, acaba perdendo o bonde da felicidade.

      7. Resposta

      Depois de dois discos cheios de música festeiras, em 1996, o Skank lançou uma canção mostrava seu lado mais romântico. Com a belíssima Resposta, a banda inaugurou a era das baldas inconfundíveis, incomparáveis e inesquecíveis.

      8. Ainda Gosto Dela

      Quem foi que disse que banda de pop rock não sabe o que é sofrência? E a coisa fica ainda melhor quando rola um encontro de gerações e de estilos. Na sensacional Ainda Gosto Dela, a banda chamou a rapper Negra Li pro rolê e mostrou como é que os caras das guitarras lidam com um fora dado pelo crush.

      9. Vou Deixar

      Wow, fala sério! Vou Deixar é uma das músicas mais alto astral já lançadas na língua portuguesa. Desde que foi lançada, em 2003, no disco Cosmotron, essa canção passou a ser obrigatória nas playlists de tudo que é tipo de festa e ou de comemoração.

      10. Algo Parecido

      E para fechar este top 10, nada melhor do que o single inédito mais recente da banda. Por mais que não tenha o glamour das outras canções aqui citadas, Algo Parecido é uma canção à altura dos grandes momentos românticos da banda. Apesar dos pesares, e de todos os outros grandes hits dos caras, pode ser que esta música demore algum tempinho para ter o valor que tanto merece.

      Skank anuncia pausa na carreira

      No dia 3 de novembro de 2019, uma notícia nocauteou a música brasileira popular: após 30 anos de estrada, o Skank decidiu dar um tempo na carreira. As férias por tempo indeterminado começarão em 2020, segundo os membros da banda. Não houve brigas e nem fracassos. Inclusive, o single mais recente deles, Algo Parecido, ultrapassa os 31 milhões de plays no Spotify e os 12 milhões de views no Youtube.

      Integrantes da banda Skank

      Separação não acontece por motivos drásticos (Foto/Diego Ruahn)

      Em nota oficial, os músicos revelaram que a pausa se dá por necessidade de alçar novos voos artísticos. A seguir, você confere o que disse cada um dos integrantes.

      Chegou a hora de cada um olhar para si. É hora de experimentarmos, ainda que demos com os burros n’água. Quero me testar fora do Skank, me ver em um círculo de músicos fora do que sempre transitamos. Há muito ainda a descobrir, Samuel Rosa.

      “É um grande desafio pessoal para cada um. Pode ser extremamente saudável nos reinventarmos, tentarmos coisas diferentes, ter esse espaço para liberdade criativa”, disse Henrique Portugal. “Nosso grande compromisso é com o público e no cuidado com a carreira. Não acreditamos que é preciso estar em baixa para dar uma parada, não precisa ser trágico, nem problemático”, acrescentou Lelo Zaneti.

      Quando parávamos era por seis meses. E ficávamos esses meses em estúdio para gravar um disco. Quando falei para pessoas próximas, a reação foi: ‘Até que enfim você vai descansar’. E quem disse que eu quero descansar? (risos) Mas o bom é inimigo do ótimo. Então vamos parar enquanto está bom pra cacete, Haroldo Ferretti.

      Não se preocupe, amigo leitor. Todos teremos a chance de nos despedirmos da banda. Em 2020, vai rolar uma turnê para comemorar os 30 anos de atividade. Também estão no radar uma coletânea e uma faixa inédita. Além do mais, o Skank não descarta a possibilidade de reuniões futuras. Por aqui, desde já, estou esperando o próximo show deles na minha cidade ;)