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      Especial Bob Marley: música, trajetória e vida do rei do reggae

      6 de fevereiro de 2020 12:15 Por Gustavo Morais
      Bob Marley encara a camera com seu olhar sério, penetrante e cansado

      Bob Marley, ícone máximo do reggae (Foto/Divulgação)

      O relacionamento entre Cedella Booker, uma jamaicana de 18 anos e Norval Sinclair Marley, capitão do exército inglês – gerou Robert Nesta Marley, que mais tarde seria mundialmente conhecido como Bob Marley. O garoto nasceu no dia 6 fevereiro de 1945, na vila Nine Mille, interior da Jamaica.

      Em 1955, após a morte de Norval, a falta de grana fez com que Bob e sua mãe fossem morar em Trenchtown, uma favela localizada em Kingston. Como era mestiço e de baixa estatura (1,63m), o garoto sofria bullying por parte dos moradores locais. Tal adversidade tornou a personalidade de Marley forte e, inevitavelmente, colaborou para que ele desenvolvesse um teor crítico, diretamente percebido em suas canções.

      Se estivesse vivo, Bob Marley completaria 75 anos. Por essas e outras, o texto de hoje é todo em homenagem ao legado do eterno rei do reggae. Ao longo da conversa, você vai celebrar a carreira e a memória de um dos artistas mais importantes de todos os tempos.

      Os filhos de Bob Marley

      O ambiente familiar construído pelo cantor foi um bastante movimentado. Ele teve um relacionamento com Cindy Breakspeare, uma modelo canadense, radicada na Jamaica, que chegou a conquistar o título de Miss Mundo. Mas foi com Rita Anderson que Marley teve seu casamento mais sólido, de 1966 a 1981.

      Rita Marley, Bob Marley e quatro dos filhos do casal

      O casal Rita e Bob Marley e alguns de seus filhos (Foto/Divulgação)

      Bob Marley teve um total de 13 filhos: oito com mulheres diferentes e cinco [incluindo dois adotivos] com Rita. Dos herdeiros do rei do reggae, quase todos seguiram os passos artísticos do pai. A seguir, você confere os nomes e as ocupações de cada um dos membros da prole do artista.

      • Sharon – filha adotiva. Atua como curadora do museu de Bob Marley e trabalha com uma grande diversidade de serviços sociais e caridade.
      • Cedella Marley – trabalha com moda, é dançarina, atriz e é a diretora da Tuff Gong International, empresa da família que cuida dos direitos autorais das músicas do clã Marley
      • David  Ziggy Marley – além da música, já fez diversas aparições como ator em filmes e seriados. Se dedica a uma série de projetos filantrópicos, especialmente na Jamaica e na Etiópia.
      • Makeda Marley – pouco se sabe sobre suas ocupações profissionais. Em 2010, ela confessou ter plantado maconha em casa e se declarou culpada em um processo sobre uso de drogas e produção de uma substância controlada.
      • Damian Marley – cantor, compositor e músico. Fez parte do projeto chamado SuperHeavy, supergrupo que também contava Mick Jagger, Joss Stone, Dave Stewart e A.R. Rahman.
      • Ky-mani Marley – músico e ator.
      • Julian Ricardo Marley - o mais musical de todos! Toca baixo, bateria e teclado e gravou sua primeira canção aos cinco anos de idade
      • Stephanie Marley – filha adotiva. Formada em psicologia, bacharel em artes e atua no ramo de hotelaria.
      • Karen Marley – trabalha com moda e design de interiores
      • Rohan Marley – empresário e jogador de futebol americano
      • Robert Marley – formado em computação gráfica e dublê
      • Stephen Marley – músico, compositor e produtor. Conquistou três estatuetas do Grammy
      • Imani Carole Marley – fez carreira na política jamaicana e vive fora dos holofotes do meio artístico

      A música de Bob Marley

      A infância e adolescência de Robert Nesta foram embaladas ao som da música negra americana. Artistas como Ray Charles, Fats Domino e Curtis Mayfield estavam entre os preferidos dele. Com o amigo Bunny Wailer [também chamado Bunny Livingstone], Marley começou a ouvir e observar atentamente o potencial vocal do grupo The Drifters, que naqueles tempos era muito popular na Jamaica.

      Bob Marley, Bunny Linvigstone e Peter Tosh, no começo de carreira

      Bob Marley, Peter Tosh e Bunny Linvigstone em algum momento da década de 1960 (Foto/Divulgação)

      Em 1962, Bunny e Bob uniram forças à Peter Tosh, Junior Braithwaire, Berverly Kelso e Cherry Smith e formaram a banda The Wailers. A sonoridade do início tinha referências no ska e no rocksteady, um típico ritmo jamaicano. Mas aos poucos o grupo aderiu outros elementos sonoros e ajudou a definir o que viria a ser o reggae roots.

      Entre 1965 e 1974, os Wailers lançaram oito álbuns. Em 1973, com o disco Catch a Fire, o primeiro lançado por uma grande gravadora, o grupo conquistou sucesso junto ao grande público, impulsionado pelo hit Stir it Up. Naquele mesmo ano, o sexteto lançou Burnin, que emplacou as canções I Shot The Sherif e Get Up, Stand Up.

      No Woman No Cry, Is This Love e outros sucessos

      A partir de 1974, a figura de Bob se tornou emblemática e o grupo passou a se chamar Bob Marley & The Wailers. Foi nesta fase que surgiram as canções No Woman No Cry, Three Little Birds e Is This Love. Lançaram sete trabalhos, sendo que um deles, Confronation, chegou ao mercado em 1983, de maneira póstuma.

      Integrantes da banda Bob Marley & The Wailers, em algum momento da década de 1970

      Bob Marley em meio a uma das muitas formações do The Wailers (Foto/Divulgação)

      A discografia de Bob Marley também contabiliza quatro obras gravadas ao vivo. Live e Babylon by Bus foram lançados em 1975 e 1978, respectivamente. Já Talkin’ Blues e Live at The Roxy foram lançados anos após a morte de Marley, sendo que este foi gravado em 1976 e comercializado em 2003, e aquele data de 1973, mas só foi parar nas lojas em 1991.

      O que Bob Marley defendia?

      Foi um artista politizado, espiritualizado e também controverso. Por influência de Rita, se tornou adepto da religião Rastafári. As músicas de Bob Marley, bem como suas ações, revelam que ele era uma espécie de “missionário rasta”, ajudando a promover de forma global os fundamentos da religião. Antes de falecer, se converteu ao Cristianismo, foi batizado na Igreja Ortodoxa da Etiópia e recebeu o nome de Berhane Selassie.

      Bob Marley durante evento pacisfista, na Jamaica, com Michael Manley e Edward Seaga

      Show de Bob MArley selou a paz entre Michael Manley e Edward Seaga, representantes de lados antagônicos da política jamaicana (Foto/Divulgação)

      Adepto do reggae roots, Bob Marley fazia arte de resistência. Suas canções são hinos que abordam questões sociais, espirituais, opressão racial, entre outros assuntos que colocam o dedo na ferida da parte hipócrita da sociedade.

      Nunca escondeu ser defensor do uso da maconha, inclusive, foi preso na Inglaterra, em 1975, após ser flagrado portando um cigarro da erva. Além de um autêntico defensor das cores do reggaeMarley sempre foi um guerreiro da paz e do amor.

      A causa da morte de Bob Marley

      No mês de julho de 1977, Bob descobriu uma ferida no dedão de seu pé direito. Na ocasião, ele pensou que era um ferimento sofrido durante uma partida de futebol, esporte que tanto gostava. Porém, a ferida não cicatrizou e a unha caiu. Ao procurar ajuda médica, Marley foi diagnosticado com uma espécie de câncer de pele, chamado Melanoma Maligno, que se desenvolveu sob sua unha.

      Bob Marley com o pé enfaixado. Ferida foi o ponto de descoberta do câncer

      Ferida no dedão do pé foi o ponto de descoberta do câncer que matou Bob (Foto/Divulgação)

      A junta médica recomendou a amputação do dedo, mas o músico não topou fazer o procedimento, pois, de acordo com um dos princípios rastafáris, “médicos são homens que enganam os ingênuos, fingindo ter o poder de curar”. Outra preocupação do artista era a possível sequela que a ausência de um dedo deixaria em seu jeito de dançar.

      O paciente, no entanto, concordou em passar por uma cirurgia para tentar remover as células cancerígenas. A operação, entretanto, não surtiu o efeitos necessários e o câncer espalhou-se para o cérebro, pulmão e estômago. A doença foi mantida em segredo.

      No verão de 1980, durante uma corrida no Central Park, em Nova Iorque, Bob desmaiou. Em um ato de Luta pela vida, o cantor foi fazer um longo tratamento, na Alemanha, com o especialista Josef Issels, mas os resultados não foram os esperados. Sem ter muito o que fazer, o artista decidiu passar os seus últimos dias em sua terra natal. Durante o voo de volta da Europa, porém, o quadro de saúde piorou e ele teve de ser internado em Miami, no hospital Cedars of Lebanon.

      Bob Marley segura seu inseparável violão

      Bob Marley usou o violão pára criar hinos pacifistas e contra as mais variadas formas de opressão (Foto/Divulgação)

      No dia 11 de maio de 1981, com apenas 36 anos, Robert Nesta Marley não resistiu às complicações degenerativas do câncer. O funeral foi realizado na Jamaica, com direito a uma combinação de práticas da Igreja Ortodoxa da Etiópia e do Rastafarianismo. Junto de sua guitarra favorita, uma Fender Stratocaster vermelha, o corpo do maior representante do reggae foi sepultado em uma capela perto de sua cidade natal.

      Morre o homem, surge o mito

      O legado de Bob Marley vem ganhando mais força desde sua morte. Ele possui uma imensa popularidade mundo afora, sobretudo na África e na América Latina. Há quem afirme que o Marley foi o “primeiro popstar vindo do terceiro mundo.

      Bob Marley e uma de suas marcas registradas, os dreads

      Bob Marley e os dreads que encantaram a cultura pop (Foto/Divulgação)

      A paixão e fidelidade dos fãs deram a Bob uma condição olimpiana, similar ao patamar de devoção em que estão John Lennon, Elvis Presley e Freedie Mercury.

      Os posicionamentos ideológicos imortalizados em suas canções continuam a chamar atenção de novas gerações e seus discos sempre atingem boas vendagens. A arte de Marley conquistou o respeito e admiração por parte de várias estrelas da música, incluindo Mick JaggerEric ClaptonSantana e Bono.

      Uma personalidade artística como Bob Marley faz parte do grupo daqueles que nunca serão esquecidos, sempre serão amados e jamais serão totalmente compreendidos.

      Redemption song - Marley75

      Para comemorar os 75 anos do ídolo, as gravadoras Universal Music e a Island Records se uniram para realizar a Marley75, uma celebração que irá durar o ano inteiro com tributos ao músico. A primeira homenagem foi o lançamento de um novo clipe de Redemption song, um dos maiores hinos de Bob Marley.

      Boas vibes, sempre…