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      Tom Zé abusa da genialidade em seu show

      28 de outubro de 2002 23:14 Por ILTON GODOY

      Um genial Zé e suas canções

      Sempre existirão aqueles artistas que vivem de tocar para pequenas platéias e que levam a fama de "difícil" (neste caso não pela personalidade, mas pelo seu trabalho). Tom Zé está nesta categoria, apesar de certos momentos soar tão pop como o maior vendedor de discos da atualidade. Seu grande pecado é a profusão de idéias presentes em suas canções? todo mundo sabe que geralmente, música pop e criatividade dificilmente ocupam o mesmo espaço e lugar.

      Este meu blá-blá-blá serve apenas para tentar dar um pouco do que venha a ser a figura de Tom Zé no cenário pop atual. São idéias, muitas delas contundentes, mas todas bem exploradas pela sua genialidade. Tom teria que ter uma música na novela das oito e aparecer mais vezes no programa do Raul Gil. Então o país estaria no caminho certo. O caminho da música feita para se curtir e pensar, mas sem esquecer o acento pop, senão corre o risco de virar um discurso chato.

      Seu show no SESC Copacabana, que tem teatro em forma de arena o que fez com que ele ficasse girando junto com o pedestal do microfone para sempre estar de frente para um lado da platéia: "Eu deveria entrar aqui exclamando 'Picasso! Picasso!', não que eu estivesse falando um palavrão, mas porque eu deveria ter várias caras (começa a dar tapas em várias partes do rosto e cabeça), aqui, aqui e aqui, para poder sempre estar de frente para vocês?, disse Tom Zé categórico. Intitulado de ?Persistindo o médico, os sintomas devem ser consultados", Zé se aproxima da platéia no momento que dialoga com ela como se não estivesse em um show (seu). Em um primeiro instante, Tom aparece sozinho, pega em seu violão e toca um trecho de "Senhor Cidadão", conversa um pouco e chama os dois músicos que o acompanham, Sérgio Caetano (violão e vocal) e Jarbas Mariz (violão, percussão e vocal). Performático, Zé aproveita sua camisa de botões, o violão e cuspis para o alto e alguns tapas na própria cara, para valorizar ainda mais uma canção sobre amor/dor. "2001", sucesso seu em parceria com Rita Lee, conhecida com os Mutantes traz os versos: "Minha dor é cicatriz/ Minha morte não me quis...Meu sangue é sal de fruta/ Fervendo em um copo d'água". "Senhor cidadão" agora é cantada inteira e traz uma contundência séria e reflexiva. Ao chamar mais uma vez o público a acompanhá-lo, Zé confessa: "Quanta dignidade, quando a platéia canta". A próxima, "O riso e a faca", vem seguida da sua lembrança a Raul Seixas.

      Tom Zé deve ser o único artista que canta "Maluco beleza" e consegue sair ileso. Em suas viagens ao exterior, onde aliás ele foi redescoberto (algum comum tratando-se de artistas brasileiros), o baiano relembra que os americanos e europeus sofrem de um analfabetismo fonético, porque mesmo o seu nome mantendo a grafia original ele sempre é chamado de "Tão Zi". Gargalhadas tanto de Zé como da platéia que lotava o SESC. Após algumas músicas recentes, a noite terminou com ele cantando uma de suas mais antigas, "Made in Brazil", de 1968, e que traz muito de nossa atualidade mesmo tendo sido feita há mais de 20 anos. Tom Zé é uma experiência em forma de música e quem quiser vivê-la, ele estará fazendo mais dois shows nos dias 1 e 2 de novembro no Teatro da UERJ, aqui no Rio de Janeiro. O divertimento e a reflexão são certos.

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