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      Jornada musical autobiográfica de John Mayer ganha belo capítulo

      27 de agosto de 2013 15:06 Por Gustavo Morais

      O músico John Mayer lançou, na última semana, o sexto disco de estúdio de sua carreira. Intitulado “Paradise Valley”, o álbum dá continuidade ao mergulho na sonoridade folk que John propôs com o ótimo “Born and Raised”, de 2012. Produzido por Don Was, o CD conta com 11 canções e traz parcerias de Mayer com os pop stars Katy Perry e Frank Ocean.

      Para compor a sonoridade de “Paradise Valley”, John Mayer buscou inspiração na musicalidade de alguns artistas que fizeram sucesso entre os anos de 1960 e 1970. Há influências de nomes como Grateful Dead, America, Crosby Stills Nash and Young, Bread e de mais um sem-número de lendas. Os fãs que preferem o lado guitarrista de John, certamente, não ficarão decepcionados com o resultado final da obra. Apesar de não mostrar a clara influência de Jimi Hendrix e Stevie Ray Vaughan, Mayer usou agradáveis timbres de guitarra e não economizou ao criar licks e fraseados com as seis cordas.

      Apesar do perceptível clima sutil que paira sob a atmosfera musical do álbum, as letras das canções são um tanto quanto densas e narram mais um emocionante capítulo da jornada autobiográfica do artista. Parte desta sutileza, inevitavelmente, pode ser atribuída ao fato de que o novo material foi concebido no momento em que Mayer vencia a luta contra um problema na garganta.

      Como não poderia ser diferente, John transforma em música algumas questões pessoais e existenciais. Com singela “Badge and Gun”, por exemplo, o artista conta o quão está preparado para seguir com a carreira e pede de volta as canções que teve que ficar sem cantar por alguns meses. Nas reflexiva “I Will Be Found (Lost At Sea)” e “Waitin’ on The Day”, Mayer reconhece algumas de suas falhas e canta sobre a constante vontade de colocar a vida nos trilhos. Em “Paper Doll”, primeiro single do CD, o músico recorre ao jeito Bob Dylan de compor e responde com categoria aos dizeres que Taylor Swift vociferou por meio da canção “Dear John”.

      Uma das gratas surpresas do disco é a regravação de “Call Me The Breeze”, composição de J.J. Cale, clássico do repertório da lendária banda Lynyrd Skynyrd. De forma inteligente, John desconstruiu a sonoridade vigorosa do southern rock e ofereceu um arranjo suave e recheado com frases de guitarra.

      É inegável o talento incomum de Frank Ocean. Porém, a participação dele no álbum é discreta e até desnecessária. A pegada R&B da voz de Ocean não casou com a proposta folk/country do disco. A singela “Who You Love”, que marca o dueto entre John e Katy Perry, em contrapartida, tem todos os ingredientes para ser hit. Trata-se de uma música com melodia assobiável, refrão de fácil memorização e batida contagiante.

      Por fim e não menos importante: “Paradise Valley” não é um disco recomendado para quem aprecia músicas construídas com frases de efeito, porém desprovidas de sentido. Com este álbum, John Mayer reafirma seu compromisso com a música honesta e mais uma vez faz a perfeita conexão entre música e alma.