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      Lobão critica “Tributo a Cazuza” no Rock In Rio 2013

      17 de setembro de 2013 14:55 Por Gustavo Morais

      Cazuza e Lobão em algum momento dos anos 80

      Na última semana, o roqueiro Lobão afirmou não ter gostado do show “O Poeta Está Vivo”, um tributo a Cazuza, que rolou na data de estreia do Rock in Rio. Com curadoria de Frejat, nomes como Maria Gadú, Paulo Miklos e Rogério Flausino relembraram a obra do Exagerado.

      Parceiro musical, amigo e fã incondicional de Cazuza, Lobão nem sequer foi creditado pelas músicas de sua autoria que foram apresentadas no espetáculo. Ponto a menos para a organização da homenagem. Com toda razão e bom senso, o artista percebeu a falta de sintonia da maioria dos convidados com a obra do homenageado. Houve momentos, por exemplo, que a falta de ensaio ficou explícita.

      Na última segunda-feira (16), o artista voltou a comentar sobre o evento. Por meio de uma postagem em seu Tumblr, Lobão criticou os envolvidos com a organização do tributo.

      Leia a postagem de Lobão, na íntegra:

      “Texto sobre o evento ocorrido no RiR no tributo ao Cazuza

      A quem interessar possa.

      Me sinto na obrigação moral de emitir a minha intensa insatisfação sobre o lamentável ocorrido na última sexta feira em um tributo ao Cazuza realizado no Rock In Rio.

      Gostaria de fazer uma análise em tópicos para que meu raciocínio seja o mais claro possível:

      Em primeiro lugar,minhas relações com a produção do Rock In Rio estão estremecidadas desde 1991 quando me aprontaram, dentre outras coisas, uma tremenda arapuca alterando por completo o meu palco nas últimas 24 horas antes do show, me apresentando um muquifo improvisado para que eu fizesse a apresentação, alegando terem contratado de última hora o Judas Priest.

      Pois bem, se não acharam nenhum motivo para pedir as devidas desculpas publicamente pelo que fizeram, que tivessem a decência de intervir na produção do tributo ao Cazuza e alertá-los da impertinência em me convidar e, por conseguinte, que não utilizassem de forma alguma nenhum material de minha autoria.

      Em segundo lugar,a própria produção do tributo ao meu amigo (que não é a do RiR) já tinha me amputado de sua biografia e do filme sobre sua vida, deixando de forma bastante duvidosa e muito pouco escrupulosa a execução de Vida Louca Vida sem alguma explicação mais clara ao leitor/espectador de que se tratava de uma canção minha e de Bernardo Vilhena que Cazuza a interpretou e gravou depois dessa canção já ter sido um mega hit nacional por ocasião de seu lançamento original em 1987, no meu LP Vida Bandida.

      Em terceiro lugar, vem a somatória disso tudo acontecendo nesse evento: Não me avisaram de nada,não me convidaram pra essa festa pobre, e ainda por cima me executam a canção sem, mais uma vez, mencionarem a verdadeira autoria, deixando de maneira cabotina e delinquente a impressão da música ser do Cazuza. Além do insólito fato de quererem manter postiçamente a minha desimportância em sua biografia insistindo em executar Vida Louca Vida como parte vívida e inalienável da obra do meu amigo. Dá pra entender? Não.

      Isso sem falar das nossa parcerias como Mal Nenhum, Azul e Amarelo, Baby Lonest, Junkie Bacana e Seda (parceria póstuma que sua mãe Lucinha me pediu pra musicar).

      Em quarto lugar, quero dizer que minha outra preocupação é com a adulteração da biografia de um amigo muito querido, que foi o único cara que me defendia dentro dessa cena artística borocoxô em que habitamos. Tenho certeza absoluta que ele deve estar furioso com esse tipo de estupro biográfico onde somente sua história dentro música popular brasileira é que sai perdendo. Eu estou vivinho e quicando e respondo por todos os meus atos e tenho muita história pela frente. Ele não. E isso é revoltante.

      Em quinto lugar, acho muito doente e difícil de explicar o real motivo de quererem obssessivamente me apartar do meu amigo e parceiro. Até hoje ninguém se dispôs a me dar alguma explicação.

      Em sexto e último lugar, um conselho que eu dou de graça para a Sra. Maria Gadú: Não se meta aonde não tem a menor autoridade de se meter, recolha-se aos seus topetes mal engendrados e vá tentar fazer alguma coisa que preste ao invés de querer dar pitaco em instâncias que lhe são superiores, em assuntos que não tem sequer idade nem tamanho para atestar qualquer coisa em relação a minha amizade com meu amigo ou com qualquer outro assunto concernente à minha vida, falei?

      É isso aí.”