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      Cem anos de Vinicius de Moraes, um ícone da cultura brasileira

      19 de outubro de 2013 12:08 Por Gustavo Morais

      Em suas respectivas sapiências, eventualmente, os deuses das artes decidem agraciar alguns seres com certa habilidade especial – também conhecida por “talento”. Com esta dádiva em mãos, estes artistas olimpianos conseguem criar obras atemporais e divisoras de águas. Um autêntico exemplar destes gênios é o multifacetado Vinicius de Moraes, mais conhecido como “poetinha”. Este sábado, 19 de outubro de 2013, marca o centenário do nascimento de Vinícius, “o branco mais preto do Brasil”.

      A história de Marcos Vinicius da Cruz e Melo Moraes começou em 19 de outubro de 1913, na cidade do Rio de Janeiro. Entre outras coisas, Vinicius escreveu sua trajetória como diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta, letrista, crítico e compositor. Se há uma lista de brasileiros merecedores de um prêmio Nobel, o “poetinha” certamente ocupa um dos dois lugares mais altos da listagem.

      Exercendo funções diplomáticas, ele trabalhou em Los Angeles, Paris, Roma e Montevidéu. No ano de 1968, de forma compulsória, isto é, aposentado pelo governo militar brasileiro, Vinicius deixou de prestar serviços ao Itamarati.

      No campo da dramaturgia, o grande feito de Vinicius foi a peça “Orfeu Negro”. Escrita em 1953 e apresentada em 1956, a montagem contou com cenários do arquiteto Oscar Niemeyer. Em 1959, o francês Marcel Camus adaptou a peça para o cinema. Com o nome “Orfeu de Carnaval”, a obra ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

      Não é pouca a contribuição do “poetinha” para a música brasileira. Clássicos do cancioneiro popular como ”Garota de Ipanema“, “Chega de Saudade“, “Se Todos Fossem Iguais a Você“, “Eu Sei Que Vou te Amar“, e mais um sem-número de canções, são de sua autoria. Além do mais, firmou parcerias antológicas com nomes como Chico Buarque, Baden Powell, João Gilberto, Toquinho e Tom Jobim.

      Em meio a tanta polivalência, o “poetinha” jamais deixou de degustar dos prazer hedonistas da vida. O mestre nunca deixou de dizer, por exemplo, que “o whisky é o melhor amigo do homem, ele é o cachorro engarrafado”. Conquistador nato, o galanteador se casou nove vezes. As mulheres – somente as bonitas, como fez questão de frisar- sempre foram sua inspiração. “Que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental”, disse. Em contrapartida, Vinicius usou da mesma audácia para se desculpar com as menos providas de beleza. “Já amei feias lindas, feias interessantes. Estive com mulheres que me agradavam esteticamente, mas elas não eram só beleza, tinham alguma coisa que me atraía”. No final das contas, ele quis dizer que a beleza está nos olhos de quem vê.

      Como o tempo é implacável e nem mesmo os gênios escapam da dona da foice, no dia 9 de julho de 1980, aos 66 anos, Vinicius de Moraes foi habitar em outra dimensão astral. Foi-se o homem, mas ficou uma das obras mais influentes e importantes da cultura brasileira. Longa vida ao legado inigualável do “poetinha”!