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      Red Hot Chili Peppers: baixista explica uso de playback no Super Bowl

      5 de fevereiro de 2014 10:17 Por Gustavo Morais

      Flea alega que dublagem foi imposição da NFL

      O músico Flea, baixista do Red Hot Chili Peppers, decidiu comentar o uso do playback na apresentação do Super Bowl, no último domingo (2). Na ocasião, a banda fez uma participação no show do cantor Bruno Mars. Por meio de longa carta publicada no site da banda, nesta terça-feira (4), o roqueiro explicou os motivos pelos quais tocou com o baixo desligado.

      Segundo Flea, o grupo estava ciente de que apenas os vocais de Anthony Kieds seriam ao vivo. O músico ainda afirmou que a decisão de participar do evento causou várias reflexões entre os integrantes da banda, que é conhecida por suas energéticas performances ao vivo e também por não aprovar as dublagens feitas em programas de TV. A mímica no Super Bowl, de acordo com o baixista, foi uma imposição da NFL (Liga de Futebol Americano), que não teria tempo hábil para organizar com qualidade o sistema de som do Red Hot.

      De maneira educada, Flea elogiou e agradeceu a Bruno Mars e ao pessoal da NFL. Segundo o baixista, não há arrependimentos e nem ressentimentos.

      Leia a carta , na íntegra:

      “Gente querida,

      Quando fomos convidados pela NFL (Liga de Futebol Americano) e por Bruno para tocar a nossa música ‘Give it Away’ no Super Bowl, ficou claro para nós que os vocais seriam ao vivo, mas o baixo, bateria e a guitarra seriam pré-gravados. Entendo a posição da NFL sobre este assunto, já que eles só têm uns minutos para montar o palco, e há um sem-número de coisas que podem dar errado e arruinar o som para o público no estádio e para os telespectadores. Não cabia argumentação sobre isso, a NFL não queria arriscar ter um som ruim e ponto final.

      O posicionamento do Red Hot Chili Peppers sobre qualquer tipo de dublagem é de não fazê-la. A última vez que fizemos isso (ou tentamos fazer) foi no final dos anos 80, quando fomos expulsos do ‘Top Of The Pops’, programa da TV britânica, durante o ensaio, porque nós nos recusamos a fazer a mímica direito, eu toquei baixo com meus sapatos, John tocou guitarra nos ombros de Anthony, e basicamente fizemos uma luta no palco, debochando do que seria uma real performance ao vivo.

      Fizemos mímica em um ou dois shows estranhos da MTV e foi sempre um tédio. Levamos a sério tocar a nossa música, é uma coisa sagrada para nós, e qualquer um que já nos viu em um show (como na noite anterior a do Super Bowl, no Barclays Center), sabe que tocamos com o coração, improvisamos espontaneamente, corremos riscos musicais, suamos sangue a cada show. Estamos há 31 anos fazendo isso.

      Quando pintou a ideia do show do Super Bowl, havia muita confusão entre nós, se devíamos topar ou não, mas enfim decidimos, foi meio surreal, uma vez na vida fazer essa coisa maluca e que deveríamos nos divertir fazendo isso. Refletimos muito antes de concordar com tudo, e além de muita conversa entre nós, falei com meus amigos do meio musical, pelos quais tenho muito respeito, e todos disseram que topariam fazer se fossem convidados, que seria algo selvagem de se fazer, que diabos. Além do mais, todos nós do RHCP adoramos futebol americano e isso teve grande peso em nossa decisão. Decidimos que com o Anthony cantando ao vivo, ainda poderíamos manter o espírito de liberdade do nosso show, e claro que nós tocamos cada nota na gravação feita especialmente para o show. Conheci e conversei com o Bruno, que foi um cara legal, um músico realmente talentoso, e trabalhamos em algo que seria divertido.

      Gravamos a música para o dia, só pondo para fora dos nossos corações aquilo que era bem parecido com as versões que temos tocado ao vivo nos últimos anos com o nosso querido Josh na guitarra.

      Para a performance real, Josh, Chad  e eu tocamos sozinhos o que foi pré-gravado, então não havia necessidade de plugar os instrumentos, por isso não fizemos. Poderíamos ter plugado os instrumentos para evitar que as pessoas expressassem desapontamento ao saber que a parte instrumental da música foi pré-gravada? Claro que sim, seria mais fácil e não seria um problema. Mas achamos melhor não fingir, parecia a coisa mais real a se fazer naquelas circunstâncias. Era como a feitura de um vídeo musical na frente de um zilhão de pessoas, a não ser pelos vocais, e a única maneira de se fazer isso. Nosso único pensamento era o de mostrar para as pessoas quem nós realmente somos.

      Sou grato à NFL por ter nos recebido. E sou grato ao Bruno, que é um jovem super talentoso por nos convidar para fazer parte do show dele. Faria tudo da mesma forma de novo.

      Nós, como banda, aspiramos crescer como músicos e compositores, e a continuar tocando com nossas entranhas ao vivo no palco para qualquer um que queira explodir os seus miolos.

      Atenciosamente,

      Flea”