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      Rogério Duprat, maestro do tropicalismo, é homenageado

      15 de maio de 2002 17:14 Por Débora Batello

      Durante o festival de música eletrônica HYPE (SP) haverá uma homenagem ao maestro e mentor do tropicalismo, Rogério Duprat, terá sua obra revisitada por dois DJs, nesse próximo sábado, dia 18.

      Embora este senhor de 70 aninhos não goste de tributos, e muito menos de comparecer a shows- graças a deficiencia auditiva que o acompanha há 30 anos- acabou convencido pelos DJs -e herdeiros de sua genial obra - Loop B e Anvil FX a comparecer ao festival, para assistir a irreverente homenagem "Experiências Tropicais - Duprat Revisitado" preparada por eles.

      O tributo, que inclui obras eruditas e raridades, terá a participação da cantora baiana Rebeca Matta, do cantor Moisés Santana, e do ex-pupilo Arnaldo Baptista, dos Mutantes. Tom Zé e Rita Lee, apesar de convidados, não comparecerão, pelo menos em palco.

      O repertório selecionado pelos DJs inclui obras eruditas de Duprat, como "Organismo" e a sinfonia dos eletrodomésticos, batizada de "Quem Tem Medo dos Eletrodomésticos?". Haverá também os sucessos tropicalistas, como "Panis et Circensis" (Mutantes), "Acrilírico" (Caetano) e "Cê Tá Pensando que Eu Sou Loki?" (Arnaldo Baptista).

      Tragetória

      Rogério Duprat é herdeiro da vertente experimental da música eletrônica. A mesma escola fundada pelo francês Pierre Boulez e pelo alemão Karlheinz Stockhausen.

      Cansado do repertório sinfônico, Duprat mudou-se, em 1964, para Brasília para dar aulas na UnB. Lá, deu adeus às partituras de Carlos Gomes e Villa-Lobos. Passou a se dedicar à música aleatória (gênero musical- criado na década de 50 - em que o compositor cria as obras pela junção de sons ao acaso).

      "A música eletrônica cria seus próprios instrumentais, Stockhausen foi para o laboratório de eletrônica inventar todos os sons", disse Duprat para enfatizar a diferença da música eletronica de sua época, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

      A atitude de vanguarda do maestro foi reprimida, pois era época de ditadura. Voltou para São Paulo e foi convidado pelo maestro Júlio Medaglia para ser membro do júri do festival de 66.

      Só em 1967 ele voltaria a trabalhar com o experimentalismo musical, ao lado de Gilberto Gil e os Mutantes. Os arranjos feitos para a música "Domingo no Parque" marcaram sua volta profissional.

      Desde 1964 ninguém no Brasil teve tanta ousadia e espírito inovador quando o assunto é música. Homenagem mais que merecida.

      Hype - Festival de Música e Cultura Eletrônica.Choperia e teatros do Sesc Pompéia - São Paulo. Data: 16 a 18 e 21 e 22 de maio. Preços: 16/05- R$ 20. 17/05 - R$ 15. 18/05- R$ 15. 21/05 e 22/05- R$ 20 (estudantes pagam meia).Informações: (11)3871.7700

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