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      Independente e visceral, Raimundos lança disco fiel às suas tradições

      11 de março de 2014 14:30 Por Gustavo Morais

      A banda Raimundos lança, neste mês de março, o disco “Cantigas de Roda”. Sem gravadora e com base no lema do it yourself, o álbum foi custeado por meio do sistema de financiamento coletivo crowdfunding. Desta forma, algo em torno de 1700 fãs abraçaram a causa e colocaram o fim no jejum de 12 anos sem um trabalho de músicas inéditas de um dos grupos seminais do rock nacional.

      Antes de tudo e acima de qualquer coisa, faz-se necessário frisar que Digão não é um vocalista novato. Antes mesmo da saída de Rodolfo Abrantes, em 2001, o guitarrista já havia cantando em algumas faixas, além de soltar a voz durante os shows. Partindo desta condição, os mais pessimistas precisam reconhecer, de uma vez por todas, que o atual front man da banda não tem a menor pretensão de usurpar o lugar de seu antecessor e tampouco está brincando de ser rock star.

      Com produção de Billy Graziadei, vocalista do Biohazard, e gravado no Firewater Studios2, em Los Angeles, “Cantigas de Roda” apresenta um apanhado de 12 canções fiéis ao bom e velho jeito Raimundos de se fazer música. A banda continua tocando pesado, alternando nuances de metal e punk, além de construir letras divertidas. Divertido é, sem dúvidas, o adjetivo mais adequado para o álbum. Candidatas a hits, faixas como “Cera Quente”, “Gordelícia” e “Baculejo” mostram a perícia do quarteto em criar textos que aplicam boas doses de ironia e deboche no humor.

      Em tempos nos quais criticar e discordar de quem está no poder são considerados crimes contra a pátria, a banda de Brasília comete um ato de coragem ao gravar uma música como “Politics”, que carrega versos incisivos como “O congresso, que exemplo, nossa escola de escândalo/Toda riqueza e poder conquistado ano a ano/Não tem valor quando você não tem o sono dos justos/Jurando santa inocência quando é pego no susto”. Outro momento de seriedade do disco é o hardcore “Nó Suíno”, cuja letra discorre sobre as agruras de uma banda que não conta com o respaldo dos mandatários da indústria: “Tocar sem ganhar nada na poeira da estrada/Sua mulher já tá cansada e não dá nenhum valor/O cachê é um insulto, deixa todo mundo puto/Mas eu vou dando risada esmerilhando esse motor”.

      Por fim e não menos importante: com “Cantigas de Roda”, o Raimundos entrega ao público um antídoto eficiente contra a síndrome da viúva de ex-integrante. Formada por Digão (voz/guitarra), Canisso (baixo), Caio Cunha (bateria) e Marquim (guitarra), a encarnação atual da banda revela ter fôlego de sobra para manter o legado de um dos nomes mais importantes da música jovem brasileira. Com a propriedade adquirida ao longo de seus 20 e tantos anos de carreira, o Raimundos mais uma vez ensina à ala raquítica do rock nacional a receita que os meninos mais velhos usam para fazerem um som de primeira categoria.

      Longa vida aos Raimundos!