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      Hall da Fama do Rock se rende ao Kiss; banda não toca, mas fica em paz

      11 de abril de 2014 11:37 Por Gustavo Morais

      Aconteceu na última quinta-feira (10), no Barclays Center, em Nova Iorque, a 29ª cerimônia de indução do Hall da Fama do Rock. Depois de passar quase 30 anos honrando artistas importantes para o rock and roll, mas também agraciando nomes que não representam muita influência no universo roqueiro, a instituição finalmente resolveu reconhecer a importância de uma das bandas mais influentes de toda a história do rock: Kiss. A festa também celebrou Peter Gabriel, Nirvana, Hall & Oates, Linda Ronstadt, Cat Stevens e a banda de apoio de Bruce Springsteen, a E Street Band.

      Do Sepultura ao Korn, do Misfits ao Nirvana,  quase todo grupo de rock surgido nos últimos 40 anos foi influenciado pela magia que Paul Stanley, Gene Simmons, Peter Criss e Ace Frehley começaram nos idos da década de 1970. Porém, coube ao guitarrista e fã declarado Tom Morello, integrante do Rage Against The Machine, a missão de apresentar o Kiss ao Hall. Com um texto inflamado e cheio de verdade, Morello disparou: “Hoje é a noite em que o Kiss vai entrar para o hall da fama do rock! Quatro dos rostos mais conhecidos do planeta! O Kiss nunca foi uma banda dos críticos, mas sim da multidão!” Em outro trecho de seu discurso, Tom citou os nomes de todos os integrantes que passaram pela banda e enfatizou: “Mas esta noite, nós homenageamos o Quarteto Fantástico”. “A noite de hoje prova, sem sombras de dúvidas, que os bullies da escola estavam errados. Os fãs do Kiss estavam certos. Impacto, influência e grandiosidade – O Kiss tem tudo isso. Hoje não é o Rock And Roll Hall Of Fame. É Rock And Roll All Nite And Party Every Day Hall Of Fame!”.

      Apesar das diferenças pessoais, os componentes originais do Kiss mantiveram o bom senso e agiram como pessoas adultas. Em suas palavras, os músicos mantiveram a compostura e não deixaram de fazer seus devidos reconhecimentos. Simmons disse que “esta é uma noite de orgulho para todos nós. A Ace Frehley: seu icônico estilo de tocar foi imitado, mas nunca igualado, por gerações de guitarristas de todo mundo. A Peter Criss: não há quem seja igual a Peter Criss. Ninguém tem esse swing e esse estilo. Algo aconteceu há 40 anos, quando conheci meu parceiro e irmão que nunca tive, Paul Stanley. Não há ninguém mais incrível como colega de trabalho. Eric Carr, que descanse em paz. Mark St. John, que descanse em paz. Vinnie Vincent, o grande Bruce Kulick. E, claro, aqui estamos, 40 anos depois com o grande Eric Singer e Tommy Thayer, e seguimos em frente. No entanto, não estaríamos aqui hoje sem os primeiros quatro fantásticos. Deus abençoe a todos vocês”.

      Peter Criss agradeceu ao Hall da Fama do Rock, a todos envolvidos com a trajetória da banda, além de se sentir grato por “estar de novo no  Brooklyn”. O baterista ainda guardou para o final de seus agradecimentos a única alfinetada da noite: “Quero dizer que mesmo sem a maquiagem, eu sempre serei o Catman”. Econômico em seu discurso, Ace Frehley pouco comentou sobre a banda e mais falou sobre a questão do vício em drogas. “Não tenho um discurso, mas é maravilhoso estar aqui com todas essas celebridades e músicos. Quero agradecer a Paul, Gene e Peter e a Hall da Fama do Rock”.

      Paul Stanley agradeceu a todos os companheiros e alfinetou a organização do Hall da Fama do Rock. Após ouvir a plateia vaiar a instituição pela exclusão dos outros membros da banda, Stanley deu o seu recado: “Isso é pelas pessoas que compram ingressos, que compram discos. Não pelos que indicam artistas. É a noite da nossa vingança”. “É uma noite maravilhosa para todos nós, mas na verdade, isso aqui é para nossos fãs. Não teríamos chegado aqui sem vocês. A Peter, Ace e Gene: somos os quatro originais e nada disso teria acontecido se não tivéssemos começado juntos. Tudo o que fazemos é baseado em nosso passado. Temos um grande legado. Temos Bruce, temos Eric e temos Tommy aqui. Quando comecei a ouvir música, eu tive sorte. Quando criança, eu vi um monte de pessoas que eu amava. Vi Solomon Burke, Otis Redding, Yardbirds, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Sly and the Family Stone… a lista é enorme. E o que eu sempre amei em todos estes músicos é que eles tinham o espírito do rock and roll. Creio que o espírito do rock and roll é seguir seu próprio caminho, independentemente das críticas. E creio que temos feito isso durante 40 anos. Por isso, estou aqui e vejo todas essas pessoas. Vejo rostos que me inspiraram ao longo dos anos. As pessoas que me fizeram ser o que sou. Então, eu estou aqui esta noite por causa das pessoas que me inspiraram, mas eu também estou aqui por causa das pessoas que eu inspiro. Então, Deus abençoe a todos. Foi uma noite maravilhosa”, disse.

      Para tristeza dos fãs, não foi desta vez que The Starchild, The Demon, The Spaceman e The Catman fizeram um som novamente.

      Assista ao momento em que o Hall da Fama do Rock se rendeu ao Kiss: