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      Cem anos de Dorival Caymmi, um ícone da cultura brasileira

      30 de abril de 2014 9:27 Por Gustavo Morais

      Em suas respectivas sapiências, eventualmente, os deuses das artes decidem agraciar alguns seres com certa habilidade especial – também conhecida por “talento”. Com esta dádiva em mãos, estes artistas olimpianos conseguem criar obras atemporais e divisoras de águas. Um autêntico exemplar destes gênios é o multifacetado Dorival Caymmi. Esta quarta-feira, 30 de abril de 2014, marca o centenário do nascimento de Dorival, um dos nomes mais importantes e influentes da cultura latino-americana.

      A história de Dorival Caymmi começou no dia 30 de abril de 1914, na cidade de Salvador. Como músico, ator e pintor, Dorival tornou-se um dos artistas mais importantes e influentes da cultura latino-americana. Entre outras inovações, em uma época em que os intérpretes eram estrelas soberanas, Caymmi valorizou a figura do compositor.

      Ainda criança, Dorival viu o despertar de seu talento para música e iniciou suas atividades artísticas no coral da igreja. Por influência do pai, que tocava violão, piano e bandolim; e da mãe, que cantava em casa, Caymmi aprendeu a tocar violão e aos 16 anos escreveu sua primeira música: “O Sertão”.

      Durante sua juventude, Dorival Caymmi integrou o conjunto Três e Meio. Na mesma época, com a música “A Bahia Também Dá”, o artista venceu um concurso de sambas de Carnaval. Com uma musicalidade honesta, simples e atemporal, Dorival rompeu fronteiras. Em 1939, no filme “Banana da Terra”, o artista viu sua música ser sucesso na voz da estrela internacional Carmem Miranda, que imortalizou a canção “O Que é Que a Baiana Tem?“. E 1940, Dorival casou-se com a cantora Stella Maris. O casal teve três filhos: Dori, Nana e Danilo, todos músicos.

      Suas canções transmitem seus sentimentos pela Bahia, pela natureza e pelo ser humano. Se os também geniais Tom Jobim e Vinicius de Moraes deram ao povo brasileiro o tesouro musical chamado “Garota de Ipanema“, Caymmi também nos brindou com a preciosa “Modinha para Gabriela“. Sua arte influenciou nomes como Chico Buarque, Roberto Carlos, Gal Costa, Luiz Gonzaga e tantos outros. Em entrevista ao jornal português Expresso Lisboa, Caetano Veloso prestou reverência ao mestre: “escrevi 400 canções e Dorival Caymmi 70. Mas ele tem 70 canções perfeitas e eu não”.

      Dorival Caymmi morreu no dia 16 de agosto de 2008, de insuficiência renal, aos 94 anos. O artista sofria de câncer renal desde 1999, quando passou por uma cirurgia e retirou um dos rins. Desde então, vivia recluso.

      O brasileiro precisa aprender a não aposentar os seus ídolos, além de não celebrá-los somente em datas especiais. Viva Dorival Caymmi! Que sua obra se perpetue e chegue ao conhecimento de todas as gerações futuras.