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      Em novo livro, Thedy Corrêa faz insônia virar poesia

      29 de agosto de 2014 18:15 Por Gustavo Morais

      Terceiro livro de Thedy Corrêa transforma insônia em poesia (clique para ampliar)

      O artista gaúcho Thedy Corrêa é fã de cinema argentino, rock inglês, quadrinhos norte-americanos, futebol brasileiro e de mais um sem-número de manifestações culturais. Lançando mão de um genuíno caleidoscópio de referências, Thedy entendeu que não deveria limitar seu talento ao posto de vocalista e compositor da banda Nenhum de Nós e abraçou a literatura. Nesta esteira literária, o roqueiro acaba de lançar o seu terceiro livro, “Noite Ilustrada”.

      A obra é o primeiro lançamento do autor pela editora “Belas Artes”. Em 127 páginas, distribuídas em 40 poemas, o artista discorre sobre seus medos, receios, frustrações, cotidiano e perspectivas sobre o futuro. Livre das amarras de qualquer estilo literário, Thedy transforma o transtorno de perder o sono em arte.

      Ao longo dos textos, quando parece dialogar com seu eu interior, Thedy Corrêa conversa com o leitor. No provocante poema “as leis da física”, por exemplo, o autor assume um tom desafiador e pergunta se “você pensa antes de falar?/você abre a boca pra pensar?”, além de também questionar se “depois de despertar/você gosta/do que o espelho tem para mostrar?”.

      O intrigante poema ”de trás para frente” é um dos pontos mais brilhantes do livro. Neste texto, Thedy narra sua ‘queda de braço’ com um exemplar de um jornal. Ao parar na sessão de palavras cruzadas, o autor observa e anota “brasil na vertical/saúde na horizontal”. No fim das contas e depois de muita exaustão, nosso herói decide apagar a luz e dar um descanso para um dos mais vorazes instrumentos do chamado “quarto poder”.

      Por meio dos traços de alguns dos dos mais bem conceituados e competentes ilustradores do Brasil, os versos das poesias são transformados em imagens. Para ilustrar o poema “a porta embriagada”, um dos mais instigantes do livro, que trata da questão dos demônios interiores que atormentam qualquer ser humano, Fábio Santos amalgamou  pop art + surrealismo e criou um fascinante personagem que lembra o icônico ator Cary Grant saindo de algum lugar do “País das Maravilhas”. Já na ilustração do poema “sopro de estrelas”, Mike Deodato Jr. propõe a expressionista figura de um arauto da solidão caminhando pelo asfalto negro de violência das grandes cidades.

      Por fim e não menos importante: é inevitável deixar de concordar com Márcia Tiburi, autora do prefácio do livro, quando ela pontua que “cada um desses poemas-textos poderia ser uma canção”. A obra é um convite para ler e ouvir o que as intermináveis noites de insônia têm a nos ensinar. Em “Noite Ilustrada”, Thedy Corrêa consolida-se como um perfeito cronista do cotidiano e transforma falta de sono em arte.