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      Em versão acústica, Vera Loca honra tradições do rock gaúcho

      12 de dezembro de 2014 16:25 Por Gustavo Morais

      A banda gaúcha Vera Loca lançou, em novembro passado, um disco no formato desplugado. Gravado ao vivo no lendário Theatro São pedro, em Porto Alegre, a obra transita pelo ótimo repertório que o quinteto vem construindo ao longo de quase 15 anos.

      Formada por Fabrício Beck (voz, flauta, gaita, ukulele e violão), Hernán González (violões), Mumu (contrabaixo, violão e vocais), Luigi Vieira (bateria) e Diego Dias (acordeon, piano e vocais), a banda se preocupou em criar um disco com riffs e acordes memoráveis, timbres emblemáticos e uma atmosfera sonora completamente despida de firulas. Do começo ao fim, o álbum apresenta cinco músicos fazendo pop, folk e rock sem a menor intenção de partirem paras as megalomanias que colocam em questão a qualidade de muitos discos acústicos.

      Outro ponto louvável é o aspecto textual da banda. Por mais que apostem no discurso mais simples, sem vocabulário rebuscado ou metáforas impossíveis de serem interpretadas, as músicas apresentam letras ácidas e caminham na direção contrária da banalização que assola uma boa parte do cenário atual do rock brasileiro. Ponto para os gaúchos. Versos como “Vai, pense bem/Vem, vê se não vai/Deixar que o tempo apague/As páginas mais coloridas desse livro azul/Que eu ainda não terminei”, da música “Pense Bem”, mostram que o quinteto passa longe da ideia de fazer músicas que dizem que a pessoa se olha no espelho e começa a respirar.

      Em seu “Acústico”, a Vera Loca não se rende ao trivial e aposta na sábia decisão de mesclar os hits com canções menos rodas nas rádios. Com um discurso positivo, a inédita “Sol a Sol” abre o álbum e traz na letra versos que tendem a tornar mais fácil a arte de recomeçar a vida após o término de um relacionamento. Com o arrebatador refrão “Hoje eu vou deitar mais cedo/Que é pra ver se tem alguma estrela faltando/Eu não vou cruzar os dedos/Que é pra ter certeza de que eu não menti”, a singela “Palácio dos Enfeites” vem na sequência e faz o ouvinte entender que tem em mãos um disco que precisa ser ouvido até o final.

      Apesar de ter uma qualidade sonora indiscutível, o disco derrapa no medley “Anos 60/Princesinha do Sol/Bailarina/Sem Sair do Lugar”. Como são tocados apenas fragmentos de cada uma destas canções, a banda deixa para os fãs um gostinho de “quero mais” que nem sempre é bem digerido pelos ouvidos mais exigentes. Por sua vez, a boa releitura para “Parabólica”, hit dos também gaúchos Engenheiros do Hawaii, poderia facilmente ceder lugar a alguma canção autoral que a banda tenha descartado do álbum.

      Por fim e não menos importante: o pop rock quem vem do sul do Brasil tem o costume de render ótimos espetáculos nos teatros. Com um disco envolvente, bem arquitetado e repleto de letras sagazes, a Vera Loca mostra que aprendeu com excelência a lição ministrada por bandas icônicas como Nenhum de Nós, Cidadão Quem e Engenheiros do Hawaii. As boas bandas de pop rock no Brasil estão cada vez mais em extinção. A Vera Loca, contudo, está mais do que preparada para ser guardiã do bastião sagrado do rock and roll.