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      Fora do Blink-182, Tom DeLonge chama ex-colegas de imaturos

      28 de janeiro de 2015 10:58 Por Laiza Kertscher

      A novela da saída do guitarrista Tom DeLonge do Blink-182, ao que tudo indica, ainda vai render mais alguns capítulos. Tudo começou quando a banda anunciou que Tom havia deixado o trio por tempo indeterminado e o guitarrista disse que não sabia de nada. Em seguida, Travis Barker e Mark Hoppus, os integrantes remanescentes, confirmaram a saída de Tom do grupo e o chamaram de “ingrato”.

      Agora, pelo Facebook, o músico desabafou sobre sua confusa saída do grupo. Em um longo texto, ele chama os ex-colegas de imaturos e diz que “se difere da maioria por seguir a luz”. Leia o texto, na íntegra:

      “Carta aos fãs

      Por onde começar?

      A verdade é sempre um bom lugar. Vamos lá.

      Eu amo o Blink e sou extremamente grato por ter a banda em minha vida. Ela me deu tudo. TUDO. Eu comecei essa banda, foi na minha garagem onde sonhei com ela.

      Então o que eu tenho feito nos bastidores? Bom, tenho tentado fazer com que as coisas funcionem. Tentei ajudar essa banda a se mexer de 50 formas diferentes utilizando meu pessoal ou outras pessoas, e ninguém sabia. Tentei mostrar ideias que fizessem com que a banda crescesse. Não estou sentado sem fazer nada. Não trabalho assim.

      A grande mudança foi quando tentei reunir a banda para conversar para fazer as coisas funcionarem. A ideia foi rapidamente reduzida a três horas de conversa no camarim de alguém em um casino de merda. O que eu esperava que seria um encontro positivo para ficar livre de tudo que já aconteceu de ruim se transformou em uma conversa estranha no camarim. Mas foi lá que eu disse para o Mark e para o Travis que enquanto nós conversássemos e as coisas fossem boas entre a gente como verdadeiros amigos, isso refletiria em nosso trabalho. Eu iria espelhar em nosso relacionamento pessoal. Exatas palavras.

      Então, o último EP foi o teste. Eu estive no estúdio por dois meses e eles apareceram por cerca de 11 dias. Eu não me importei de tomar as rédeas, mas todos havíamos concordado em dar 100% de nós mesmos. Apesar disso, de certa forma, nos sabotamos a nós mesmos.

      Chegou a um ponto que disputas e burocracias me forçaram a tirar o EP do ar quando 60 mil fãs estavam tentando comprá-lo. E isso me deixou louco. Eu estava me esforçando tanto mas aquilo me quebrou. Eu percebi que a banda não conseguiria sair daqueles anos de “má vontade”.

      Foi depois desse episódio que eu prometi a mim mesmo que jamais me colocaria nessa posição novamente – acreditar nas palavras que falamos um para o outro.

      Eu me lembro de ter perguntado para um deles no telefone: “você se esforçou ao máximo, como prometemos?”. Ele ficou em silêncio.

      A culpa é deles?

      É minha? Lógico. Eu sou louco.

      Mas há três de nós, somos todos culpados. Ao fim do dia, sempre fomos problemáticos, por isso não conversamos há meses. Mas nunca conversamos. Nos oito anos em que estivemos juntos, sempre foi assim.

      Nos últimos dois anos e meio, enquanto um parceiro estava sendo procurado para lançar o novo disco do Blink, eu lancei uma empresa de mídia. Acabei de lançar um disco do Angels & Airwaves e como alguns sabem, há mais por aí por vir – história em quadrinhos, filmes, livros, etc. Os livros todos virão com as músicas. Essa roda já está girando, então você pode imaginar minha frustração quando me entregaram um contrato de 60 páginas do Blink dizendo que eu não poderia lançar um disco do Angels durante os próximos 9 meses e que o Blink teria que gravar um disco em 6 meses, o que era impossível para mim. Isso iria me forçar a quebrar vários contratos. Autores, artistas, animadores… muita gente.

      No final das contas eles, removeram a cláusula do Angels, mas a parte de ter que gravar um disco do Blink em 6 meses continuou. Eu não posso simplesmente frear anos de desenvolvimento, parcerias e compromissos em um segundo.

      Falei para meu empresário que eu continuaria com o Blink 182 desde que fosse divertido e trabalhasse com outros compromissos em minha vida, como minha família.

      Mark e Travis sabiam de tudo isso.

      Escrevi a mesma carta para eles há meses. Mas ela gerou uma discussão gigantesca, a maior de todas até agora. Eu só queria que todos concordassem. Mas do ponto de vista deles, eu estava controlando tudo. Na verdade, eu estava com medo de me expor novamente. De repetir a experiência do EP.

      Também escrevi tudo isso para seus empresários em dezembro (que me disseram que meus colegas de banda não estavam bravos e concordaram com algumas das minhas ideias para fazer com que a banda crescesse).

      Então você pode imaginar a minha surpresa quando um comunicado de imprensa foi enviado ontem – sem meu conhecimento – sobre o futuro da banda. Isso é novidade para mim.

      Mas acho que isso é mais um exemplo de como eu me diferencio da maioria. Eu sigo a luz… Sigo a paixão e faço arte. Eu fico com meu filho, minha filha e minha esposa.

      Ao final do dia, tudo isso me deixa muito triste. Triste por nós.

      Triste por você – que está vivenciando essa imaturidade.

      Eu os conheço muito bem e suas recentes ações são defensivas e divisionistas. Acho que eles estão fazendo isso como forma de protegê-los de se machucarem. Como todos nós.

      E mesmo vendo os dois agindo de forma tão diferente como sei que eles são, ainda me importo muito com eles. Como irmãos, como velhos amigos. Mas nosso relacionamento foi envenenado ontem.

      Nunca pensei em sair, apenas acho difícil pra caramba me comprometer.
      -
      Tom”.