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      Entrevista! Lobão fala sobre Acústico e críticas que tem recebido

      11 de junho de 2007 14:03 Por Cifra Club

      Lobão está, mais uma vez, envolvido em polêmicas. Diferente do que fez durante anos, Lobão trabalha ao lado de uma grande gravadora (SONY/BMG). Com seu recém-lançado "Acústico MTV", o cantor volta ao mainstream e faz os seus velhos hits tocarem nas rádios.

      Ainda cheio de ideologias, Lobão conta um pouco sobre a fase que vem passando.

      Cifra Club: Há um tempo, muito se falava sobre a sua "vida bandida", a galera marginalizando o comércio e tudo mais. Como está sendo essa volta ao mainstream?
      Lobão: Isso foi há nove anos. As coisas mudaram pra caramba, né? As gravadoras encolheram, as rádios estão esculhambadas, a gente entra e fala, quero fazer isso, quero fazer aquilo. Tem que ter a malandragem suficiente pra gente falar "vamos ser amigo? vamos fazer parceria?" É uma coisa que só se faz se você tem um foco sabe, senão as pessoas focalizam em dizer não, e não esquecem que aquilo já acabou. Por exemplo: Se eu dissesse aqui: "Vamos numerar o disco!". Pronto, já está numerado. Eu preciso da numeração porque eu tenho que voltar pra gravadora. Pra que eu preciso voltar, pra ter uma marca boa, que me desse uma codificação que fizesse valer tudo o que o contrato está dizendo, e irrevogavelmente a codificação do trabalho dos discos, aí cabe a cada pessoa com seu advogado, chegar lá e fazer um bom contrato. Então não tem mais problema nesse setor, cê ta entendendo? E a lei do jabá? A lei do jabá ainda ta rolando. Quem fez a lei do jabá? Foi o deputado Fernando Ferro. Quem pediu pra fazer? Fui eu! Além de pedir eu redigi pelo telefone sanções, explicações técnicas. Eu sou o cara que mais fez coisas pelo independente. Com a revista, nunca ganhei um tostão. Peguei o patrocínio da Petrobrás que investe uma grana preta, eu podia pegar esse dinheiro e investir no meu trabalho. Eu investi milhões naquela revista, já são quatro anos. Mas não, então, eu sou o canastra e blablabla e na minha revista, que eu inventei pra sair com os meus discos, ai eu lanço e as pessoas me chamaram de chapa branca. "Pô, o Lobão fala que é independente e é dono de revista e se lança na revista", mas pó, eu inventei a revista para mim mesmo. Meu lugar é no mainstream, eu tenho número de vendagem muito grande. Acho que só no mainstream você imprime sua história, porque senão você fica carregando instrumento, pobre, pagando para tocar em lugares horrorosos para 3, 4 pessoas.

      Cifra Club: Como você está reagindo ao bombardeio de críticas que está recebendo, com muitos chegando a dizer que você se rendeu às majors?
      Lobão: Ficar falando "ele é traidor, vendido" com um crucifixo e uma bíblia na mão falando em nome da moral. Parece que as pessoas não pensam, então rola essa atitude vexaminosamente burra. Eu fico pensando: "uma pessoa não tem vergonha de falar uma coisa dessas? A história vai asfaltá-la sem piedade. Então é isso, se você verificar minha história, eu sou cheio de rupturas dramáticas. Eu fiz a Blitz, dei meu nome a Blitz, gravei com a Blitz, e no auge do sucesso sai da Blitz. "Porra, que maluco aê". Pois é, to aqui. Aí os neguinhos ficaram revoltados com o samba que eu fiz. Aí chega em 98, pirataria, e nessa época eu era um cara super mainstream, ninguém pensou que eu ia entrar na música independente. Aí eu fiz uma revista e coloquei na banca. Tudo numerado todo mundo me chamou de maluco.

      Cifra Club: Muita gente ficou meio revoltada nessa época, né? Caetano, Lulu…
      Lobão:
      Não, não, não, revoltados foram poucos. Eles levaram foi um esporro de presidente de gravadora foram ameaçados de terem os contratos rasgados, enfim, teve neguinho que amarelou. O único que não amarelou foi o Roberto Frejat, ele foi homem pra caralho. Posso falar isso tranquilamente, imagina, Lulu Santos ia trocar de gravadora. E aí os caras falavam "mas o Lobão não está em nenhuma gravadora párea", aí eu podia responder: "Eu não tô em nenhuma gravadora mas eu faço mais sucesso que você aí na sua gravadora, que está vendendo aí sem numeração, e fora que eu quero voltar".
      Ficar falando dessa história de "se vender" é uma bobeira. O Led Zeppelin, o Jimi Hendrix, os Stones, eles se venderam? O sistema está desestruturado, e a gente tem que mudar isso. Quem não se desloca não tem preferência. Se você é moralista você se ferra, ele não vai abrir mão daquela cartilha. “Vamos fazer isso? Não! Vamos fazer aquilo? Não!” Pô, os caras inflexíveis não vão pra frente. Tem que saber jogar com galhardia, saber que estamos jogando com criatividade e dinheiro, ai sim.

      Cifra Club: Sobre o Acústico, você investiu bastante nos instrumentos de corda. Como foi essa seleção?
      Lobão:
      A gente estudou muito tudo isso, pesquisou pra caramba. A Gianini mandou fazer de um violão com madeira de jacarandá, madeiras especiais. A gente tem até violão de fibra de carbono, tem fibra maciça que tem um som totalmente diferente, aquele preto nosso é assim. Tem um Taylor que a gente usa também de 10 mil de dólares, então, pô o som do nosso Acústico ficou violento não foi à toa.

      Veja fotos e saiba como foi a apresentação do cantor Lobão em Belo Horizonte, estreando seu "Acústico MTV".

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