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      Rafael Bittencourt, do Angra, prepara DVD financiado por fãs; confira

      2 de outubro de 2015 7:35 Por Damy Coelho e Gustavo Morais

      Rafael quer sociedade com fãs em novo DVD

      O músico Rafael Bittencourt é um dos nomes mais expressivos do heavy metal brasileiro. À frente da banda Angra, se destacou pela capacidade de unir o rock à música erudita, conquistando uma legião de fãs nacional e internacionalmente. Tanta credibilidade fez com que o multi-instrumentista tomasse coragem para se lançar em uma nova empreitada: buscar formas de agregar o seu público ao seu processo criativo e de produção. Para isso, lançou o projeto de financiamento coletivo para o lançamento de seu próximo DVD ao vivo. E, de acordo com o próprio, os fãs são peça fundamental para o sucesso deste mais novo trabalho.

      O crowdfunding do músico está disponível na plataforma Kickante. Se você é fã do cara e quer dar uma força, não se esqueça de acessar e conhecer as opções de colaboração.

      A iniciativa já não é novidade entre as bandas independentes, mas trata-se de um pioneirismo no metal, ainda mais vindo de um músico de renome. “Alguns colegas músicos me questionaram, disseram que eu estava me expondo demais lançando uma campanha de financiamento. Tem muito artista que quer trabalhar, mas acaba se escondendo em uma pseudo imagem de riqueza, aquela coisa do mito do artista inatingível. O público compra o sucesso, mesmo que ele seja mentiroso. No meu caso, o que eu quero é me aproximar do fã, e trazê-lo pra dentro da minha realidade”, afirma Bittencourt.

      O DVD, ainda sem nome, vai contar com a parceria dos fãs em todas as etapas. Eles puderam opinar desde o repertório do show e vão até estar na capa do DVD. Tudo depende do quanto o fã está disposto a ajudar no projeto. “Eu acho muito importante que o público se sinta parte do processo. A capa do DVD vai ser um mosaico de fotos de fãs. O cara ainda pode mandar vídeos com depoimentos e esses vídeos vão passar no telão do show. Ainda teremos ensaios abertos, já tivemos palestras em que os fãs sugerem ideias pro show, pro repertório… por exemplo, fiz uma versão em português de uma música que tenho em inglês. Não sabia qual seria a receptividade do público pra essa versão, e com essa aproximação dos fãs, eu tive um retorno mais claro, a maioria gostou bastante. Quanto mais ele ajudar, mais ele será o meu sócio nesse processo. O fã será realmente um sócio do meu trabalho”, afirma.

      Crowdfunding, um divisor de águas na cena cultural

      Rafael acredita na força do financiamento coletivo

      O mais bacana do projeto, além da participação ativa do público, é a possibilidade de incentivar a cena independente brasileira a se reinventar. Bittencourt conta com apoio de empresas e de lei de incentivo para financiar alguns de seus shows, como fazem muitos artistas, mas a campanha de financiamento se mostrou como uma opção bem mais interessante. “Eu não tô fazendo essa campanha porque não tem outros recursos, mas porque eu queria que o fã se visse como parte do processo”.

      O músico também não esconde que a decepção com as atuais formas de compartilhamento de música no Brasil. A ideia de levar meses, por vezes anos, no processo de composição e criação de um projeto musical e de gastar tempo dinheiro e dedicação para isso, torna o simples download de músicas algo injusto, de acordo com o próprio. “É muito chato só baixar o disco e ver o resultado de todo aquele trabalho pronto. O público vê só o resultado e acha que é muito fácil, depende só de um momento de inspiração pra ser músico, e não é assim. Documentar todo esse processo, mostrar o quanto é difícil, mostrar que precisa de bastante empenho, é fundamental”, garante.

      O financiamento coletivo, de certa forma, é uma luz no fim do túnel para que o músico independente possa se inserir no competitivo mercado fonográfico. Em um país onde a música rentável é o funk ou o sertanejo universitário, o rock perdeu espaço na grande mídia. A solução, então, seria engrandecer a cena com a participação daqueles que gostam e acreditam no estilo. “O bacana é que, quem vai ajudar no meu projeto é quem me cobra por novos lançamentos, é quem curte o meu trabalho. Eu não tô pedindo pra quem não gosta. Eu tô pedindo é que cada pessoa apoie o artista que quer ver, pra que a gente mude a cena! Se você tá reclamando que só tem sertanejo na mídia, então ajude a financiar o cara que tá na luta, que faz o estilo de música que você admira! Eu acredito que se esse formato de financiamento ganhar força no Brasil, vai ser bom pra todos”, finaliza.

      De fato, em muitos países, o público parece ter se conscientizado da importância, para o artista, de financiar a música. O conceito de baixar um álbum, pura e simplesmente, sem pagar mesmo um valor simbólico, parece ter perdido a força. Bittencourt se mostrou bastante consciente deste processo. “O Brasil é muito atrasado nesse tipo de conscientização. Com o financiamento, o fã acaba percebendo que faz parte do processo, ele quer ajudar, igual acontece com o sócio torcedor aqui no Brasil, por exemplo. A pessoa percebe a sua importância para financiar algo que gosta. Percebe que o time tá crescendo com a sua ajuda. Penso que na música, o processo pode ser semelhante”.

      O DVD: uma versão mais brasileira do heavy metal

      Músico pretende mostrar apreço pela MBP em novo DVD

      Uma das intenções de Rafael, com este novo projeto, é mostrar um pouco mais de suas raízes brasileiras. “O que acontece é que o Angra é muito internacional. E no meu primeiro disco (Brainworms I, de 2008), o repertório é basicamente em inglês. Se é um rock em inglês, de certa forma eu vou competir com o próprio Angra. Então, o meu foco agora está na carreira solo”, aponta.

      O músico ainda adiantou, com exclusividade para o Cifra Club News, que pensa em fazer algumas versões de artistas brasileiros consagrados, como Cássia Eller, Elis Regina, Marisa Monte e Alcione. “Gosto muito de vozes femininas, principalmente as dessas artistas. Ainda não sei qual versão vai sair, até porque é preciso ver essa questão toda do direito autoral, de liberação…mas se rolar qualquer uma dessas artistas, ficaria muito feliz”, completa.

      As referências surpreendem aqueles que são fãs mais ferrenhos do rock’n'roll. O próprio Rafael justifica: “Nós não somos só rock’n'roll, né? A gente tá aqui no Brasil e desde criança, mesmo sem querer, a gente ouve música brasileira. E essa música tá na nossa raiz, no nosso sangue, porque a gente se identifica com a energia que é colocada naquilo. E eu gosto muito de música brasileira e quero mostrar isso para os fãs”.

      Mas os fãs do Angra não precisam se preocupar. Rafael também adiantou que haverá uma versão acústica de alguma música consagrada da banda, como “Nova Era”, possivelmente em formato jam session, que entrará como material extra do DVD. Para a alegria do público, a participação de Edu Falaschi, ex-vocalista do Angra, já está confirmada.

      As participações do show, aliás, não deixam nem um pouco a desejar. Nomes como Michel Leme, Bruno Valverde e Felipe Andreoli, do Angra, também já estão confirmados. Os músicos que vão tocar com Bittencourt também são de primeira: Fernando Nunes, ex-baixista da banda de Cássia Eller e diretor do musical dedicado à cantora é apenas um dos reforços. O próprio time que entrará ao vivo com o músico já anuncia que a ideia é mesmo mesclar os estilos. “Nos teclados, quem assume é Nei Medeiros, que tocava até na banda do Padre Marcelo Rossi (risos). O Marcell Cardoso tocou bateria no meu primeiro disco e também acompanha a Família Lima, por exemplo. Também chamei o Amom Lima para assumir o violino. A ideia é justamente fazer essa fusão da música brasileira com o heavy metal. Essa é a minha intenção”, reforça.

      O show do DVD será no dia 13 de janeiro do ano que vem e vai ser gravado no Café Piu Piu, espaço icônico para a cena rock’n'roll em São Paulo.

      Documentário especial e recompensas

      O músico durante as gravações do "#TocaAngra", parceria com Cifra Club

      O fã que abraçar a causa não terá a sensação de desperdiçar dinheiro. As recompensas para os que se tornarem “sócios” de Rafael no projeto são deveras satisfatórias. Há colaborações que garantem treinos de guitarra, nomes nos créditos, meet & greet e até um show exclusivo para 50 pessoas.

      O projeto também reserva um agrado para os fãs ávidos por conhecer bastidores, processos de gravação e demais assuntos relacionados à produção. Segundo Rafael, uma parceria inédita com o site Cifra Club vai originar um documentário que vai compilar todas as cenas de making-of do DVD.

      “Estamos fechando uma parceria com o Cifra Club pra gravarmos uma série de vídeos contando um pouco da história do processo de gravação do DVD, por quê eu escolhi o Café Piu Piu pra gravar, como funcionam os processos burocráticos, direitos autorais, todas essas coisas. Será um presente, uma curiosidade para os fãs”, disse.

      Em tom de sinceridade, Bittencourt também comentou sobre a relação cordial que mantém com o site. “O Cifra é um portal gigantesco e eu quero fazer um projeto muito bonito. Quero agradecer a todos que acompanham o Cifra Club pelo apoio. Desde a série #TocaAngra, o Cifra tem sido muito importante pra minha carreira. Queria também agradecer aos profissionais do Cifra que acreditam no meu trabalho e deixam essa porta aberta. Juntos podemos criar uma cena musical mais sólida no Brasil, e menos dependente da grande mídia, da TV, das gravadoras. O Cifra, junto com os músicos independentes, tem um grande potencial de formadores de opinião. Vejo com muita importância essa parceria com o Cifra Club”, concluiu.

      Dê o play e confira o que Rafael Bittencourt diz sobre o DVD: