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      Iron Maiden inova em novo álbum sem desapontar fãs mais conservadores

      13 de outubro de 2015 10:10 Por Damy Coelho

      Reza a lenda que, dentre as vantagens de ser uma banda consagrada está o fato de poder inovar o quanto quiser e ainda contar com o apoio da legião de fãs mais fiéis. Pois não seria diferente com o Iron Maiden: após quinze discos lançados e se consagrando como a principal banda de metal em ativa, Bruce Dickinson e companhia há muito já não fazem o som que os levaram ao topo da fama, mas não deixaram de mostrar a qualidade do trabalho musical.

      Isso é claramente perceptível no álbum “The Book Of Souls”, lançado em setembro. O fato de se tratar de um álbum duplo é só uma das provas de inovação, já mostrando aos fãs para o que a banda veio. Trata-se de mais de uma hora e meia de um trabalho que beira ao estilo épico, como uma grande ópera do heavy metal.

      Seguindo a tendência progressiva que vem marcando a banda desde os últimos três álbuns, desta vez, o Iron resolveu se arriscar ainda mais, mas sem desagradar os fãs mais conservadores. Prova disso é que o disco vai lentamente preparando o ouvinte para a pedrada que vem no final: a faixa “Empire of the Clouds“, que abusa dos elementos líricos como piano e violino, e tem nada menos que 18 minutos.

      Porém, a primeira música pode assustar quem esperava por um trabalho mais redondo do grupo. “If Eternity Should Fail” começa com um sintetizador inesperado, fazendo com que a faixa (ao menos nos primeiros minutos) beire ao psicodélico. A canção varia tanto entre versos e o refrão que, ao final, não parece se tratar da mesma música.

      O curioso é que a divisão das faixas não segue um padrão específico, como a maioria dos álbuns duplos. O primeiro CD conta com o hit “Speed Of Light” e outras que seguem o gênero heavy metal. Já o segundo CD é mais investido na parte “progressiva” e experimental da banda, mas também conta com um hit em potencial,  “Tears of Clown”, dedicada ao ator Robin Williams, que tem fórmula fácil (leia-se: refrão que fica na cabeça) e promete agradar até quem não é muito fã da banda.

      Destaque também para a música “The Great Unknow”, que começa como uma balada lenta e evolui para um heavy metal acelerado, fazendo jus ao estilo que a banda fazia no início da carreira, na época de sucessos como “Fear of The Dark”. Já músicas como “Speed of Light” e “Death or Glory” seguem a fórmula consagrada do heavy metal e prometem ser hits em potencial. A primeira faixa, inclusive, já até ganhou clipe oficial.

      O álbum peca no aspecto que derruba muitos trabalhos duplos: o tempo. Uma hora e meia parece muito para a banda. As canções se arrastam enquanto se está ouvindo, e o fato de ser um álbum progressivo, com músicas tipicamente longas, não ajuda. Nesse ponto, dá para sentir saudades do bom e velho Iron, que ia direto ao ponto, com hits acelerados.

      Já desempenho vocal de Bruce é impecável, um capítulo à parte – nem parece que o cantor passou recentemente por uma cirurgia para retirar um tumor na garganta. O ídolo não economiza nos tons agudos e nos gritos, sua marca registrada.

      O “The Book Of Souls”, então, vem para quebrar uma sequência de álbuns mais fracos lançados pela banda. (Destaque para o “A Matter of Life and Death”, de 2006, que pesou muito a mão no experimentalismo). O  Iron Maiden parece ter compreendido, finalmente, o caminho que deve seguir: investir no experimental progressivo (o que deu resultados positivos), mas sem abandonar a veia heavy metal.