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      Malta não surpreende, mas supera síndrome do segundo disco

      26 de outubro de 2015 14:05 Por Gustavo Morais

      A Banda Malta lançou, em outubro, o segundo disco de sua carreira, “Nova Era”. Seguindo a máxima de que em ‘time que tá ganhando, não se mexe’, em sua nova empreitada, os vencedores da primeira temporada do SuperStar novamente apostam no romantismo como tema das 11 canções que integram o álbum.

      Em “Nova Era”, a banda abriu seu baú de canções e resgatou algumas obras que foram escritas há 10 anos. Em momento algum, no entanto, o material soa datado. Ponto para a banda, que com este gesto mostra que não pretende se ater aos sons do passado.

      Por mais que seja afinado e tenha uma considerável extensão vocal, o vocalista Bruno Boncini peca por não economizar nas fírulas vocais. Em um verso ou outro, Bruno coloca a voz de um jeito que chega a incomodar os ouvidos mais exigentes. Logo no refrão da faixa de abertura do disco, a agitada “Lá Fora”, quem não está acostumado com o som da Malta pode desistir de ouvir o restante do álbum. Efeito parecido pode ser causado em razão da maneira como são cantados os versos “Na nossa história/Eu vou ser para sempre seu/Você e eu”, da música “Cinderela”. O mesmo erro é cometido nos versos iniciais da música “Dona da Voz”. Já em “Nada Mais”, as coisas parecem que serão diferentes, mas Boncini evoca as técnicas de duplas sertanejas no estilo Bruno e Marrone e perde ótima oportunidade para surpreender.

      Talvez por decisão do produtor do disco, o guitarrista Thor Moraes acaba sendo o músico que mais se destaca em “Nova Era”. Com timbres encorpados e sequências de notas bem planejadas, Thor registrou solos que deixam claras as influências de bandas como Def Leppard, Bon Jovi e Cinderella. Na música “Miragem”, forte candidata a single, por exemplo, o guitarrista entrega um solo feito sob medida para não ofuscar o refrão de fácil memorização. Na já citada “Lá Fora”, o responsável pelas seis cordas da banda também mostra muito bom gosto ao usar o slide. Em contrapartida, nem mesmo a boa pegada de Thor Moraes conseguiu impedir que a música “Todo Mal” seja uma frustrada tentativa da Malta em soar como uma banda de rock pesado.

      No mundo da música, não é incomum algumas bandas lançarem discos de estreia bem sucedidos e derraparem no segundo álbum. É a chamada ‘síndrome do segundo disco’. No caso da Malta, “Nova Era” é um álbum feito sob medida para fidelizar ainda mais os fãs da banda. Ponto para o quarteto, que parece ter encontrado a cara de seu público e sabe que não deve se aventurar por territórios desconhecidos.

      Em um país com um escândalo por metro quadrado, canções de protesto são totalmente plausíveis no repertório de uma banda de pop rock, sobretudo quando essa banda é dona de imensa popularidade. Contudo, jamais podemos esperar músicas de conscientização no repertório da Malta ou de uma boa parte dos artistas mais badalados da música nacional.

      Por fim e não menos importante: “Nova Era” mostra que a Malta não tem interesse em assumir o rótulo de “salvação do rock brasileiro” que os entusiastas do SuperStar tentaram colocar nos ombros dos integrantes da banda. De mais a mais, o rock não está em crise… o rock é a crise, amigo leitor! Sem peso na consciência ou pretensão de dividir águas no cenário musical, em seu segundo disco, a Malta continua soando como se fosse uma espécie de Roupa Nova do século XXI.