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      Com retorno triunfal, Black Sabbath separa homens de meninos

      4 de junho de 2013 14:30 Por Gustavo Morais

      A banda Black Sabbath prepara para este mês o 19º disco de sua carreira, “13″. O álbum é a primeira produção de estúdio integralmente inédita do Sabbath com os vocais de Ozzy Osbourne desde 1978, quando foi lançado o surreal “Never Say Die!”. Além de Osbourne, a obra traz outros 2/4 da banda original – o baixista Geezer Butler e o guitarrista Tony Iommi – e o batera do Rage Against The Machine, Brad Wilk.

      Sob a batuta do produtor Rick Rubin, os gigantes do metal produziram um dos materiais mais aguardados das últimas décadas. É necessário frisar, contudo, que o tempo passa para todo mundo, inclusive para os deuses do rock. Logo, é insensato esperar que “13” apresente a banda com a mesma pegada da época em que tecnicamente inventou o heavy metal, o fim da década de 1960 e o começo dos anos subsequentes. Porém, é incomensurável a dignidade musical que estes senhores lançaram mão para arquitetar um disco inspirado, polido e honesto com a parte positiva do restante do legado do Sabbath. São oito músicas, porém, nenhuma de pequena duração. A grandiosidade das faixas, no entanto, transcende os limites do tempo e/ou quantidade.

      Em “13″, a banda não dá chances para músicas pueris ou superficiais. O disco mostra canções diferenciadas e construídas a partir da aglutinação das mais diversas referências psicodélicas, tecnológicas e filosóficas que borbulham na cabeça dos integrantes do grupo desde que ingressaram na carreira artística. Os temas das letras são tratados de forma densa e precisa. No single “God Is Dead?”, por exemplo, o Sabbath recorre aos ensinamentos do filósofo alemão Friedrich Nietzsche e discorre sobre a mais que milenar disputa travada entre as forças do bem e do mal. Já em “Live Forever”, o quarteto lida com a questão da mortalidade, um assunto deveras polêmico e inesgotável. “Age Of Reason” cumpre com excelência o papel de fazer o ouvinte se imaginar, em um estádio lotado, de punhos erguidos e acompanhando com a voz os arranjos vigorosos e poderosos da guitarra. A música “Zeitgeist”, por sua vez, evoca a intrigante “Planet Caravan” e apresenta os vocais de Osbourne em meio a um clima sombrio e desesperador.

      A química entre os músicos componentes da encarnação do Sabbath neste disco surpreende de maneira positiva. A princípio, o fã mais puritano pode vir a pensar que a bateria deixa a desejar. Nas partes mais ‘calmas’ das músicas, de fato, a ausência do batera Bill Ward é notável. Todavia, Brad Wilk mostra que sua escolha foi certa e que reúne todas as condições necessárias para ser o responsável por empunhar as baquetas do grupo. Dono de habilidade incomum, Iommi faz jus ao status de ser o músico que criou alguns dos riffs mais emblemáticos da história da guitarra elétrica. Em músicas como “Loner”, “Live Forever” e “End Of Beginning”, o guitarrista desfila sua habilidade de elaborar frases musicais e combinações de notas e acordes que se encaixam como luva no padrão de exigência dos fãs de metal. Já Ozzy Osbourne, por sua vez, não se faz de rogado e magistralmente vai até onde sua voz permite. O madmen sabe que não precisa inventar a roda e conhece todos os atalhos para gravar um vocal eficiente, preciso e coeso.

      Por fim e não menos importante: o Sabbath é daquele tipo de banda que pode passar o resto de sua existência sem lançar material inédito. Com “13″, no entanto, os gigantes do metal cometem um gesto de compaixão e fazem um favor aos ouvidos dos apreciadores da arte feita com verdade. Ouça o disco e entenda os motivos pelos quais o Black Sabbath é uma entidade musical perita em separar os homens dos meninos. A música precisa de mais Sabbaths e de menos bandas que chegam com o rótulo e com a missão de salvar alguma coisa. O rock não está em crise, amigo leitor. O rock é a crise.