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      Paramore mostra sua essência em álbum autointiulado

      19 de junho de 2013 13:50 Por Mariana Moreira

      O trio Paramore lançou, no último mês de abril, um disco autointitulado, que até então era conhecido como “4th Album” (quarto álbum). Após um período de hiato, no qual a banda chegou a pensar em desistir da carreira, o novo trabalho para mostrar a versatilidade de Hayley Williams, Jeremy Davis e Taylor York. O CD já está rendendo inúmeras indicações e premiações ao grupo. Até o momento dois singles foram lançados – “Now” e “Still Into You”, mas apenas o segundo emplacou de verdade.

      No início de junho de 2012, Hayley, Jeremy e Taylor se uniram para o início das gravações do quarto disco de estúdio, o primeiro álbum completo após a saída dos Farro. Como Josh era um dos responsáveis pelas letras do Paramore, o processo de concepção seria extremamente desafiador para o para o trio remanescente. A nova fase, no entanto, acabou trazendo um pouco de medo da vocalista, Hayley, por conta da pressão por fazer algo superior e inovador. Mesmo com todos os obstáculos, os amigos ou “bandmates” (companheiros de banda) – como costumam se chamar, acreditavam que o álbum seria o mais fiel possível ao que realmente são como artistas. Justamente por conta da busca dessa transparência, o disco é autointitulado. Hayley, Jeremy e Taylor repetidamente dizem: “This is Us” (Nós somos assim, em tradução livre).
      No álbum é possível ver que o grupo assumiu riscos ao não ficar apenas no punk-pop/pop-rock de antes. Trouxeram novos elementos e buscaram mesclar de forma homogênea todos componentes que tinham em suas mãos, sem perder a essência. A produção do disco é assinada por Justin Meldal-Johnsen, principal responsável por fazer o trio apostar no próprio talento e demonstrar sua versatilidade. Com toda essa guinada sonora, o grupo decidiu utilizar um ukulele nos interlúdios, rainbow machine em algumas canções, além de uma grande orquestra e um coral gospel. Dando um toque especial ao trabalho. Todas as músicas foram escritas pela banda. Um total de 20 faixas foi composto na etapa de criação, porém, 17 entraram no álbum, duas ficaram nos b-sides e apenas uma canção não foi incluída.

      Analisando o álbum é possível correlacionar as novas canções com as músicas presentes nos álbuns anteriores, dando a sensação de uma continuação ou até mesmo de mudança de opinião em alguns aspectos. São nítidos também os indícios da influência da banda No Doubt no som de “Now”. Na introdução da música é possível confundir a voz da Hayley, com a de Gwen Stefani – vocalista do No Doubt. Já a canção “(One of Those) Crazy Girls” remete ao filme Grease, pois é extremamente dançante traz na letra uma extrovertida fala de uma namorada um tanto quanto sem noção. Nas músicas ”Grow Up” e “Last Hope”, por trás da voz da Hayey, o guitarrista Taylor dá uma palinha de suas habilidades vocais. “Fast In My Car”, “Daydreaming”, “Ain’t It Fun” “Anklebiters”, “Still Into You”, “Proof” e “Be Alone” fazem a linha animada e pregam amizade, encarar a vida real, ter sonhos, sentir amor próprio e ainda falam sobre amar alguém. Pode-se dizer que uma das faixas mais fortes do álbum é “Part II”, continuação de “Let The Flames Begin” – presente no segundo disco do grupo, “RIOT!”. Música com um arranjo bem feito e letra forte, tornam-na extremamente atraente.

      Apesar de todo empenho aplicado por todos os produtores, engenheiros e até mesmo da banda na produção do disco, algumas coisas acabaram sendo desnecessárias. Um exemplo é a música “Future”, que tem quase 8 minutos e todo esse tempo, praticamente 4 minutos, é apenas instrumental. Por essa razão a música fica cansativa e nos faz querer pular pra próxima faixa. Algo similar acontece em “Hate To See Your Heart Break”, onde o instrumental também é prolongado. Todo esse tempo tomou um espaço que poderia ser ocupado por outra faixa, como, por exemplo, um dos b-sides.

      Sem dúvidas “Paramore” é um álbum mais maduro e essa característica é perceptível desde a composição, ao vocal e a qualidade instrumental. Olhando para os três primeiros discos é notória a progressão da banda, ainda mais com a busca de inovação e agregação de novos componentes às canções totalmente modernas e agradáveis aos ouvidos. Devido ao esforço da banda e a criatividade demonstrada no processo através do produto final, defendemos a nota dada à obra de arte do trio.