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      Festival Close Up Live

      14 de dezembro de 2008 Por Cifra Club

      No último dia 14 de Dezembro a Arsenal e a Universal Music promoveram o Festival CLOSE UP LIVE no Espaço das Américas em São Paulo.

      O famoso produtor e empresário Rick Bonadio apresentou seus grandes pupilos: artistas consagrados e promessas para 2009. Marcaram presença o rapper Túlio Dek e as bandas Glória, Fresno e NXZERO.

      Um festival com tal elenco tão pop/emo começa a ficar interessante já na fila de espera para entrada da casa. Pais e mães, com seus rebentos a tira colo, promovem um encontro familiar dominical extremamente incomum. O gerente de condomínio Nelson e sua esposa Neide Olenilque dizem: “Deve haver um limite, não pode virar idolatria”. Mas já não virou? O visual dos jovens chama a atenção. Cabelos coloridos na altura do pescoço, mechas, costeletas e franjas à vontade. Roupas grudadas ao corpo. Nos meninos, as calças caindo e metade da cueca amostra é quase obrigatório. Nas meninas a maquiagem pesada, as saias curtas e meias rasgadas é que fazem sucesso. Tanta devoção aos ídolos acaba criando situações inusitadas, o estudante Bruno Henrique foi confundido com o Guitarrista Gee do NXZERO.

      Mas vamos ao que interessa: os shows.

      O rapper Túlio Dek abriu a noite com seu hit “Tudo Passa”. Seguiu tocando músicas de seu álbum de estréia intitulado “O que se leva da vida É a vida que se leva”. O que chamou atenção foi a ex-vocalista do Rouge, Karin Hills dividindo os vocais com Túlio em algumas canções. Extremamente talentosa. O rapper kardecista (daí o nome “dek” em homenagem à Allan Kardec) seguiu o ritmo agitando a galera que parecia estranhar um pouco, até que Di Ferrero do NX Zero sobe ao palco para um bis de “Tudo Passa”. Agora com ele dividindo os vocais com Túlio e fechando um show que não comprometeu e também não acrescentou. Meia hora e fim de papo.

      O público agora esperava ansiosamente pelo grupo Glória, banda que fará sua estréia em uma grande gravadora no primeiro trimestre de 2009 com o lançamento de seu terceiro cd, o primeiro pela Arsenal Music. Glória é o que podemos chamar de um Pit bull vegetariano: aparenta ser muito cruel, mas é dócil feito pluma. O som é furioso, pesado o suficiente para agradar qualquer fã de metal, o vocal mescla berros e urros entre os versos. Talvez não vá agradar ao grande público feito Fresno e NXZERO, mas os meninos são extremamente competentes. Subiram ao palco mandando ver com o hit “Anemia” que agitou toda a casa. Seguido da poderosa “Foi Você, Saudade e Eu”. Porrada atrás de porrada até fecharem com o clássico “Asas Fracas”. Glória fincou sua bandeira no mainstream e parece que veio pra ficar.

      A Fresno subiu ao palco às 20h20 e recebeu um presente surpresa das mãos de Rick Bonadio: Disco de Ouro pela vendagem de 50.000 cópias do álbum Redenção. Visivelmente emocionados a banda abriu o show mandando ver hits atrás de hits sem deixar o público respirar. “Uma Música” seguida de “Quebre as Correntes” e “Polo”. Um momento emocionante foi a dobradinha “Alguém Que Te Faz Sorrir” e “Duas Lágrimas”. Confesso que vi muito mais que duas lágrimas nos olhos das fãs. Perto do fim, Lucas agradece a todos que ajudaram Santa Catarina, mas lembrou que o resto do Brasil também precisa de ajuda. Fecharam com clássica e longa “Milonga”. Deixaram o palco após um set relativamente curto dada a devida importância que a Fresno merece.

      Domingo chegando ao fim e o calor aumentando. Dezenas e dezenas de jovens emos passavam mal e desmaiavam na grade dando trabalho aos bombeiros de plantão. As luzes da casa se apagam e os donos da noite são anunciados: NX ZERO! A maior banda de rock nacional do momento. A gritaria é geral e o frenesi é extremo. Abriram o show com a já clássica “Além de Mim”. Uma catarse toma conta do Espaço das Américas. Digam o que quiser, NXZero é bom e fim de papo. “Cedo ou Tarde” foi precedida por um discurso emocionado de Di oferecendo a canção ao falecido pai do guitarrista Gee. Momento mágico do show. Di diz que foi o melhor ano da vida do NX e que eles devem tudo aos fãs. Na seqüência, mais hits, “Pela Última Vez”, “Apenas Mais Uma de Amor” (cover de Lulu Santos) e “Cartas Pra Você” emocionam o público que a essa altura já estava praticamente pela metade. Muitos já tinham ido embora. Em “Entre o Bem e o Mal” Di brinca e canta algumas canções de Fresno, Marcelo D2 e Túlio Dek. A banda sai do palco de forma fria pra voltar segundos depois para o Bis que contou com “Daqui Pra Frente” e o grande clássico da banda: “Razões e Emoções”. NX se despede de São Paulo em 2008 com a sensação de dever mais que cumprido. Arsenal e Universal Music estão de parabéns pelo evento que só comprova que o Rock Nacional ainda viverá por longos anos.

      Entrevistas:

      Fresno

      Cifra Club: Como anda carreira em uma grande gravadora? Muitas facilidades? Alguma dificuldade?

      Lucas: As dificuldades são praticamente as mesmas da época independente, só que agora é tudo “mais”. Querendo ou não o trabalho envolve muito mais a gente hoje do que antes. Hoje não temos tempos pra mais nada, até que é uma dificuldade boa, significa que estamos trabalhando pra caramba.

      Cifra Club: Do que vocês sentem mais saudade da cena underground?

      Lucas: Tocar em shows cujo público é somente nosso. Tocamos em muitos festivais, é uma coisa legal, mas também tem o lado de tu não saber ao certo quem é teu fã de verdade, se o cara conhece só os teus hits ou conhece todas as suas músicas. No underground eram menos fãs, mas tu podias tocar qualquer música que eles cantavam, agora temos que seguir algumas regras e tocar músicas que a galera conhece. Isso complica um pouco.

      Cifra Club: Gravar com Chitãozinho e Xororó foi uma grande ousadia. Isso ainda pode dar frutos?

      Lucas: Por contrato era só para um programa. Mas por vontade nossa isso ainda pode render. Temos plano de lançar em DVD. A demanda é muito grande, a galera pede. Nós temos essa vontade e eles também, rolou uma amizade grande.

      Cifra Club: Existem planos para um CD/DVD acústico?

      Lucas: Queríamos fazer um DVD ao vivo, bombado mesmo, veremos com a gravadora, o que eles acham, mas eu queria fazer.

      Cifra Club: Fale um pouco sobre o novo clipe da música “Alguém Que Te Faz Sorrir”. Onde foram feitas as filmagens e de quem foi a idéia do clipe?

      Lucas: Como a música é a música mais calminha que nós já lançamos resolvemos fazer um contra ponto, o clipe tem uma narrativa bem rápida, narrado de uma forma crua como se fosse uma música pesadona. A história é basicamente uma mulher que trai um cara como o próprio irmão do cara, rola muito soco, pancadaria e foi legal pra caramba a gravação.

      Cifra Club: Comente um pouco das bandas do Festival de hoje.

      Lucas: Todos somos irmãos, Glória tocamos com eles desde 2003. Com o NX é a mesma coisa, tocamos com eles desde a fase underground e o Túlio é um cara novo que surgiu e faz uma música diferente, hip-hop e tal, mas nós somos bandas muito populares, um público geral ouve, não só os rockeiros. Não tem galho, hoje é tudo festa.

      Cifra Club: O rótulo de emo ainda incomoda?

      Lucas: Incomoda e vai sempre incomodar, mas é uma coisa que está saindo de moda, na verdade não incomodava né, hoje “emo” é um xingamento.

      Cifra Club: Vocês lutaram muito pra fazer sucesso. Quero saber o que vocês acham da síndrome do underground?

      Lucas: É normal tu ter ciúmes de uma banda, eu tenho ciúmes de várias bandas. O Fresno, por exemplo, na fase underground os fãs gostavam da banda sem ter nenhum motivo pra gostar, apenas gostavam, e hoje tem um monte de gente que gosta um pouquinho, aquele público que não se liga muito em música, isso dá raiva em quem gosta muito, mas a galera tem que entender que pra uma banda ser bombada tem que ser assim, fazer sucesso com esse público “geralzão”.

      Glória

      Cifra Club: Primeiro, pra galera que não conhece a banda, conta um pouco da história de vocês e suas influências.

      Mi: A banda começou no final de 2002. Já tocamos pelo Brasil inteiro, temos influência de Slipknot, Sepultura e várias outras bandas. Vamos lançar nosso terceiro cd no primeiro trimestre de 2009, o primeiro por uma grande gravadora. E vamos esperar que o cd será muito bom.

      Cifra Club: A Banda vem numa crescente quando o assunto é peso nas músicas, assinando com uma grande gravadora, isso fatalmente terá que mudar?

      Mi: Não. A gravadora assinou com o Glória pela própria identidade. Vai continuar a mesma coisa, não vai mudar nada. O que muda agora é que temos um suporte maior, uma equipe, tá tudo rolando muito legal.

      Cifra Club: Recentemente o guitarrista Brian Baker do Bad Religion, um dos ícones do punk rock/hardcore mundial, disse que não ouve bandas novas porque “não quer ouvir ninguém gritando seus problemas para ele”. O que vocês acham disso?

      Mi: EU acho ridículo, pessoal tá ficando velho e não entende a molecada.
      Elliott: Mente fechada, galera vai ficando velha e vai se fechando
      Peres: Um cara que era um ícone da mente aberta falar uma parada dessas é um absurdo.

      Cifra Club: Como é tocar ao lado do Gee do Nx Zero? Ele já fez parte do grupo Glória e acredito que a amizade entre vocês ainda exista, certo? Ele pode ser considerado uma espécie de Padrinho do Glória?

      Mi: Não é nem padrinho, é meu amigo, desde criança, é legal os dois amigos dando certo na mesma gravadora, a gente tá feliz pra caramba.

      Cifra Club: O que falta para Bandas como Sugar Kane e Dance of Days, da qual o Mi já foi integrante, saírem totalmente do underground?

      Mi: Depende só da Banda, não adianta eu dar um toque, se a banda quiser sair do underground só depende dela.

      Cifra Club: Na música “Verdades” , do primeiro cd de vocês, você recita alguns versos do soneto da fidelidade de vinícius de MORAES. Vocês são fãs de bossa nova? Fãs de Tom e Vinícius?

      Mi: Eu curto Bossa Nova faz tempo, há uns 8 anos. Foi uma idéia que eu tive e não só nessa música, mas em outras também têm alguns poemas de Vinícius e Tom, eu gosto bastante.

      Cifra Club: Foi bom trabalhar com Rick Bonadio?

      Mi: Está sendo bom.

      Elliott: É uma experiência nova, não o conhecíamos, mas nos identificamos bastante, as idéias foram bem compatíveis e tá tudo rolando legal pra caramba.

      Cifra Club: O que vocês acharam da frase dele “Os festivais independentes são péssimos.”?

      Mi: Ele tá certo. Os festivais não se organizam, os que a gente pegou a gente já sofreu bastante.

      Cifra Club: Manda um alô pra galera do Cifra Club

      Elliott: Galera estude bastante, ouça muito som, treine o ouvido e parta pra estrada da música. Sempre acessamos o Cifra Club.

      Mi: Um abração pra todo mundo, feliz natal, nós sempre acessamos o site e espero que logo logo tenha músicas do Glória pra galera tirar.

      Nx Zero

      Cifra Club: Como é carregar a responsabilidade de ser a maior banda de rock brasileira da atualidade?

      Caco: Isso é o que dizem né. É a maior responsa, a molecada se espelha em nós e somos tão jovens, uma média de 22 anos na banda. Chegar onde chegamos hoje em dia é muito difícil devido à pirataria e os downloads. Pra nós é uma responsabilidade e um exemplo pra outras bandas da nossa geração.

      Cifra Club: Falem um pouco das bandas do festival.

      Caco: Não tem o que falar, todas são super parceiras. Conhecemos o Glória há mais tempo. Começamos juntos no underground, Hoje estamos na mesma gravadora e com o mesmo empresário. Conhecemos o Fresno há muito tempo também. E o Túlio conhecemos quando ele gravou uma música com a gente. Só show de brother hoje.

      Cifra Club: Uma pergunta para o Gee, ex-integrante do Glória e que já faz parte do Nx há algum tempo. Como é tocar ao lado do Glória no mesmo festival e ver seus amigos crescendo profissionalmente?

      Gee: (Gee responde visivelmente emocionado) Pô, vivenciei três anos da banda e tocar com os caras e vê-los assinando com uma gravadora dá muito orgulho. Eu e o Mi aprendemos a tocar juntos desde pequenos. Eu fico tão feliz, pois o NXZERO tinha dado certo e o Glória estava dando certo, mas no independente. Eu sei o quanto o Mi correu atrás. Vê-los crescendo é demais.

      Cifra Club: Vocês estão enjoados de ganhar VMB todo ano?

      Caco: Lógico que não. (risos) Mas nós não ganhamos todo ano não.

      Cifra Club: Um tema inevitável, o assédio das fãs. Como vocês lidam com isso? Tem alguma história engraçada pra contar?

      Caco: Tô todo arranhado. (risos). A galera fica maluca, nós gostamos, mas às vezes dá medo. Você sai da Van e é cercado por 30 ou 40 pessoas. Você não sabe o que vai acontecer, mas é gostosa, a galera tem muito carinho por nós e sempre que possível nós paramos e conversamos com todos.

      Cifra Club: Divulgação de músicas na internet. Hoje em dia, numa grande gravadora, como vocês encaram isso?

      Caco: Claro que a gravadora ajuda muito, mas eles aprendem com a gente também, o lance da internet, Orkut e Fotolog, As gravadoras começaram a dar mais importância à isso. Como o Rick falou outro dia, foi um time que se juntou e deu certo. Um aprende com o outro sempre.

      Cifra Club: Quais bandas vocês estão ouvindo atualmente? Muita coisa nacional?

      Caco: Vou falar por mim, ouço muita coisa americana, The American Rejects, Fall Out Boy, JOhn Mayer, Red Hot, Dave Mathews, Damien Rice… Isso é o que todos escutam em comum.

      Cifra Club: Quais os projetos do NX para 2009?

      Caco: Continuar trabalhando o disco “Agora.” Talvez trabalhar num disco novo no meio ou no final de 2009. E continuar a turnê pelo Brasil, sempre.

      Cifra Club: Mandem um recado pra galera do Cifra Club

      Caco: Pô, a galera do NX também já entrou muito no Cifra Club pra procurar cifras para nossas covers. Continuem tirando várias músicas e formando a personalidade de vocês na música.

      Gee: Galera, vamos estudar bastante música, divirtam-se no Cifra Club, eu já entrei várias vezes nesse site, é sempre bom pra ficar ligado no que está acontecendo, esse site é irado.

      Túlio Dek

      Cifra Club: Conte-nos um pouco sobre o início de sua carreira. Suas influências e como seu interesse pela música, mais especificamente pelo rap, aflorou?

      Túlio Dek: Eu nasci em Goiânia, fui criado boa parte da minha infância em Fazendo, com onze anos de idade me mudei para a Califórnia/EUA. Lá eu comecei a ouvir Hip-Hop pra caramba. Até então minhas influências eram moda de viola, era o que eu mais escutava na fazenda. Quando voltei da Califórnia queria muito, de alguma maneira, freqüentar os lugares e começar a cantar. Eu comecei fazendo batalha de Freestyle na Lapa, um lugar chamado “Batalha do Real”. Daí a Carolina Monte, irmã da Marisa, me chamou pra gravar uma música com ela. Daí uma coisa foi puxando a outra, conheci o DJ Cuca aqui em São Paulo. Ele produziu algumas músicas minhas, mostrou ao Rick Bonadio, o Rick gostou e resolveu produzir meu CD junto com o Cuca. Daí eu assinei com a gravadora, a música entrou na rádio e tá bombando.

      Cifra Club: Como você classifica o seu rap?

      Túlio Dek: Meu rap é bem positivo, não gosto de falar de coisas negativas, meu rap é positivo ao máximo, gosto de falar das coisas boas da vida. A minha verdade é essa.

      Cifra Club: Você acha que as pessoas mais pobres se identificarão com seu som?

      Túlio Dek: De alguma maneira eles se identificam, independente se é da periferia ou do asfalto, eu falo de coisas positivas, quem almeja a felicidade na vida deve se identificar com o que eu escrevo.

      Cifra Club: Você se sente estranho num festival com todas essas bandas de rock? Não está meio out não?

      Túlio Dek: Não, estranho não, me sinto feliz pra caramba.

      Cifra Club: Quais são seus próximos projetos?

      Túlio Dek: Primeiro quero focar meus esforços nesse disco, o depois a gente pensa depois.

      Cifra Club: Dê um recado pra galera que visita o Cifra Club.

      Túlio Dek: Nunca desista dos seus sonhos, corram atrás, se você correr atrás e acreditar, não importa de onde você é ou o que você seja, eles sempre se realizam.

      Comente à vontade, mas pegue leve com os palavrões e/ou ofensas senão seu comentário pode ser editado ou deletado. =)